quinta-feira, 24 julho, 2014. 04:21 UTC

Notícias / África

Governo moçambicano quer reassentar vítimas das cheias; estas resistem

O governo quer reassentar permanentemente populações de zonas propícias a cheias ao longo do rio Limpopo, depois das devastadoras inundações ao longo do rio no mês passado.

Cheias de 2013 em Nampula (VOA / Faizal Ibramugi)Cheias de 2013 em Nampula (VOA / Faizal Ibramugi)
x
Cheias de 2013 em Nampula (VOA / Faizal Ibramugi)
Cheias de 2013 em Nampula (VOA / Faizal Ibramugi)
— O primeiro-ministro Alberto Vaquina está a pressionar as autoridades locais a serem firmes com as pessoas que querem regressar às suas casas – dizendo que o risco de novas cheias é demasiado elevado.

O governo oferece às pessoas pedaços de terra em locais mais elevados, caso aceitem mudar. Cerca de 100 pessoas morreram nas cheias e mais de 200 mil outras foram afectadas.

A casa de Thelma Zita fica apenas a poucas centenas de metros das margens de um dos mais poderosos rios africanos - o Limpopo.

Em finais de Janeiro, o rio saltou das suas margens, levando tudo o que encontrou pela frente. Não houve tempo para fugir.

“Subimos aos telhados. Não deixamos Guija porque a água chegou à noite.”

Uma semana mais tarde Thelma Zita deu à luz uma menina. Agora, com a bebé agarrada às suas costas com uma capulana, Thelma Zita está a cultivar a terra que aos poucos deixa de estar submersa pelas águas do Limpopo.

“Estamos a começar a plantar de novo. Em alguns terrenos não se pode semear porque há ainda água, temos que esperar. A vida continua, é assim a vida.”

O fértil vale do Limpopo é fonte da grande parte do arroz e dos vegetais produzidos em Moçambique.

O aviso de cheias permanece em vigor. O final da estação das chuvas será daqui a dois meses.

É arriscado andar já a amanhar a terra, mas Thelma Zita e os vizinhos dizem que caso não plantem, vão passar fome.

“Aqui não chega nada. Pode vir um camião cheio de comida mas quando chega a nos já há pouco.”

 Adam Ridell – da organização cristã Americana “Bolsa do Samaritano” – está a ajudar a distribuir alimentos na área. Ele explica porque Thelma Zita e os seus vizinhos poderão não obter ajuda alimentar.

“Uma razão porque estas pessoas poderão não receber ajuda alimentar é porque não se encontram nos centros de acomodação. Podemos não saber onde eles estão. Seria mais fácil se estivessem nesses centros. É ali que levamos comida.”

Custódia Quive é uma das 70 mil pessoas que escaparam às águas do Limpopo. Agora vive num enorme campo de tendas, gerido pelo governo e agências internacionais de ajuda.

“Foi tudo, não tenho casa, a porta abriu-se e a roupa foi levada.”

Agora é altura de olhar o future. O governo oferece terra em zonas mais altas, perto do campo onde se encontram. A 29 quilómetros da cidade de Chokwé, onde antes das cheias ela vivia e trabalhava.

“Queremos a terra, mas ainda não nos deram nada. É muito longe, mas mesmo assim posso viver lá, a família pode ficar aqui.”

Durante o dia poucos homens se encontram no acampamento. Muitos regressaram já aos terrenos, ou encontram-se a proteger as suas casas e haveres dos bandidos, nas áreas inundadas.

Adam Ridell diz que o processo de realojamento será difícil mas que há poucas alternativas.

“Como se realojam 200 mil pessoas? Quando há inundações a cada cinco anos? Conseguiu-se progredir nos sistemas de aviso antecipado e as pessoas sabiam que a água das cheias ia chegar. Os diques rebentaram, e a água chegou muito mais depressa do que pensavam. Muitas pessoas estavam preparadas para as cheias mas não o suficiente porque não pensavam que seria tão mau como foi. As suas casas são feitas de barro, porque é o que tem, pelo que foram com as cheias.”

Os peritos dizem que Moçambique, país onde existem 9 dos maiores sistemas de rios e onde há tendência a enfrentar ciclones sazonais, é especialmente vulnerável a mudanças climatéricas, aumentando o risco de mais desastres naturais no futuro.

O governo considera a construção de pelo menos uma outra barragem no rio Limpopo – mas é um empreendimento dispendioso para um país ainda dos mais pobres do mundo.

Entretanto, esperam conseguir deslocar o maior número de pessoas possível para locais mais elevados para minimizar os efeitos de um próximo desastre.
O forúm foi encerrado
Comentários
     
Năo existem comentários. Seja o primeiro

Siga-nos

Rádio

AudioAngola Fala Só: Ao Vivo I Mp3

Sexta 16:30 - 17:30 UTC
 

AudioEmissão Vespertina: Ao Vivo I Mp3

Seg-Sexta 17:00 - 18:30 UTC
 

AudioEmissão Vespertina: Ao Vivo I Mp3

Sáb-Dom 17:00 - 18:00 UTC

Os Nossos Vídeos

Your JavaScript is turned off or you have an old version of Adobe's Flash Player. Get the latest Flash player.
Manchetes Africanas 23 Julho 2014i
X
23.07.2014 17:06
Os principais títulos que marcam a actualidade de África
Vídeo

Vídeo Manchetes Africanas 23 Julho 2014

Os principais títulos que marcam a actualidade de África
Vídeo

Vídeo Manchetes Africanas 22 Julho 2014

Os principais acontecimentos de 22 de Julho no continente africano
Vídeo

Vídeo Manchetes Africanas 17 Julho 2014

Os principais acontecimentos que marcaram a actualidade desta Quinta-feira
Vídeo

Vídeo Manchetes Africanas 16 Julho 2014

Os principais acontecimentos que marcaram esta Quarta-feira, no continente africano
Vídeo

Vídeo Manchetes Africanas 15 Julho 2015

Os acontecimentos que fizeram a actualidade desta Terça-feira, no continente africano
Vídeo

Vídeo Brasileiros felizes com vitória alemã

A Alemanha ganhou o Mundial de Futebol derrotando a Argentina no Domingo por uma bola a zero no prolongamento. A VOA no Rio de Janeiro
Mais Vídeos