quinta-feira, 02 outubro, 2014. 04:22 UTC

Notícias / Angola

Imprensa de Cabo Verde no "Top 10" dos mais livres do mundo

O derrube da democracia no Mali mostra-se um facto desastroso para os jornalistas deste país da África Ocidental – segundo os Repórteres Sem fronteiras que divulgaram esta quarta-feira o seu índice de Liberdade Mundial de Imprensa.

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O resto de África também não está melhor – pelo sexto ano consecutivo, a Eritreia foi considerado o pior país africano. Mas o relatório também menciona alguns pequenos ganhos na Libéria e melhorias no Senegal depois do presidente ter surpreendido os críticos ao afastar-se graciosamente após ter perdido as eleições.

Mali é uma das três nações africanas que desceu precipitadamente no índice dos 179 países segundo o nível da liberdade de imprensa.

As duas outras nações que desceram no índice foram-no na sequência de uma rebelião – o caso da República Centro Africana - e de um golpe – o caso da Guiné-Bissau.

No Mali registaram-se ambos: um golpe e uma rebelião. Os militantes islâmicos tiraram vantagem de um vácuo de poder criado por um golpe em Março para se apoderarem do norte do país. Tropas malianas e francesas estão agora a rechaçá-los.

Os militantes tentaram impor uma versão estrita da lei islâmica, por entre objecções da população na sua maioria islâmica. As testemunhas dizem que os islamitas criaram tribunais de facto onde as pessoas eram chicoteadas, mutiladas e executadas.

Ambroise Pierre que chefia o departamento para África dos Repórteres Sem Fronteiras diz que os resultados foram desastrosos para os jornalistas.
Este país, Mali, ia bem antes, em termos de liberdade de imprensa, e o golpe militar em Março e o caos em que o país caiu por causa do golpe teve pesadas consequências para o trabalho dos jornalistas. Muitas estações de rádio deixaram de emitir programas e em Bamaco e no norte do Mali os jornalistas foram de facto espancados.

Para Pierre, o presidente do Mali devia pressionar à realização de eleições numa tentativa de restaurar a paz e a estabilidade, mas entretanto deveria propor certas medidas: “que o exército deixe de controlar a imprensa em Bamaco, e que possa garantir que as estações de rádio e a imprensa em geral, no norte do país, podem emitir e fazer o seu trabalho livre da influência dos islamitas.”

Em geral, frisa Pierre, a África Oriental é a pior região em termos de liberdade de imprensa – com a Somália ao mesmo nível que a Síria como das nações mais perigosas para os jornalistas.

Em Angola como no Uganda, nota esta organização, onde os regimes fizeram face a exigências sociais e políticas, os jornalistas que cobriram manifestações foram com frequência vítimas de indiscriminada repressão policial ou eram impedidos de cobrir a actuação policial contra os manifestantes. Em Angola, por exemplo, muitos jornalistas foram presos durante protestos em Setembro de 2012.

No lado positivo, o relatório menciona que o grupo dos melhores em África está a aumentar. O número de países africanos nos primeiros 50 lugares passou de sete no ano passado para 9 este ano.

O país não-europeu mais bem classificado é um africano – Cabo Verde – que está entre os 10 melhores em termos de liberdade de imprensa.

Cabo verde é descrito, no relatório, como uma democracia saudável e um modelo de boa governação, onde os governos podem ser mudados através de eleições, como o demonstrou a eleição presidencial do Verão passado. Os jornalistas em Cabo Verde são completamente livres e todos os partidos políticos têm acesso à imprensa estatal.

Países africanos onde se registam, também, melhorias são o Senegal e a Libéria.

Mas como em anos anteriores, África tem a dúbia honra de estar no último lugar.
Eritreia – em último lugar – foi descrita como “a maior prisão africana para os jornalistas,” com pelo menos 30 jornalistas sob custódia policial. O líder de longa data desta pequena nação junto ao Mar Vermelho aboliu a imprensa independente há mais de uma década.
O forúm foi encerrado
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