quarta-feira, 10 fevereiro, 2016. 00:24 UTC

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    França vai ficar por muito tempo no Mali - analista

    Desafio é saber se CEDAO poderá substituir a França

    Soldado francês no Mali. Por quanto tempo?
    Soldado francês no Mali. Por quanto tempo?
    João Santa Rita
    O envolvimento  militar francês no Mali vai demorar “no mínimo” vários meses e poderá estender-se por vários anos, disse á Voz da America o analista português Paulo Gorjão.




    Gorjão, um especialista em questões internacionais no Instituto Português de Relações Internacionais e Segurança, disse que  “o grande risco francês” jaz em saber-se se a Comunidade Económica de Estados da África Ocidental, CEDAO, estará á altura de substituir a tropa francesa e de criar um exercito capaz no Mali.

    “Nem o próprio presidente François Hollande acredita que o envolvimento francês vai ser limitado,” disse o analista.

    Paulo Gorjão disse por outro lado que o recente ataque terrorista contra uma instalação de produção de gás na Argélia pode ser visto como “um sinal político que uma parte da comunidade tuaregue e islâmica na região do Sahel entendeu enviar á Argélia no sentido de limitar o envolvimento argelino no conflito do Mali”.

    A Argélia, disse, “é um estado central neste processo e numa eventual resolução militar desta operação em curso liderada pela França” e tinha já iniciado uma participação indirecta permitindo á força aérea francesa sobrevoar o seu território para acções no Mali.

    Paulo Gorjão disse que o súbito alastramento da violência nessa região é importante “em primeiro lugar pela noção que existe que a frente na luta contra o terrorismo de natureza islâmica se transferiu do Afeganistão para esta nova frente”.

    Há também interesses de natureza económica da França e de outros países, acrescentou.

    “O que se esta a passar é grave não só pela destabilização do Mali per se mas pelas consequências que isso pode ter para toda a região,” disse Paulo Gorjão sublinhando ainda haver o receio que “a queda do governo central do Mali teria um impacto devastador em termos da estabilidade política e social de toda a região”.

    Por outro lado a França tem vindo a aumentar a sua visibilidade no Magreb e na região do Sahel desde o fim do mandato do anterior presidente , Nicolas Sarkozi, disse o analista que recordou depois as intervenções francesas na Líbia, o seu envolvimento na Síria e mesmo a sua intervenção na Costa do Marfim.

    “Parece-me haver um afinamento da estratégia a longo prazo da França que vai desde do grande Magrebe até a região do Sahel e até ao Médio Oriente,” acrescentou Paulo Gorjão para quem inicialmente no Mali os franceses pensaram que o seu envolvimento seria de pouca duração e de preferência “um envolvimento de retaguarda”.

    Mas os factos ultrapassaram todo o tipo de planeamento que a França estava a fazer e viu-se obrigada a intervir militarmente, disse Gorjão.

    “Nós temos aqui no mínimo dos mínimos um envolvimento para largos meses senão até para vários anos em diferentes modalidades,” acrescentou afirmando ainda que se está agora a tentar criar com a CEDAO e a União Europeia uma frente unida “para se criar condições para a França progressivamente diminuir o seu papel e assumir o seu papel novo a CEDAO”.

    “Esse é o grande risco francês se de facto a CEDAO vai estar ou não à altura das expectativas para substituir a tropa francesa no Mali,” disse.

    “Eu não vejo aqui envolvimento mas sim para largos meses e por ventura por alguns anos,” acrescentou

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