quarta-feira, 26 novembro, 2014. 08:41 UTC

Notícias / Angola

Ano de 2012 muito difícil para manifestantes em Angola

"A rua é um grande meio e vamos continuar a usá-la,” disse Mbanza Hamza, do Movimento de Jovens Revolucionários

EA maioria das manifestações realizadas em Angola são convocadas por jovens (foto de arquivo)
EA maioria das manifestações realizadas em Angola são convocadas por jovens (foto de arquivo)

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António Capalandanda
2012 foi o ano mais repressivo na história das manifestações após o alcance da paz em Angola, na opinião Mbanza Hamza, um dos activistas do Movimento Revolucionário.

As manifestações foram protagonizadas por jovens protestavam contra a governação de Eduardo dos Santos e ex-militares e agentes da segurança de Estado. O ambiente de tensão que se viveu na capital angolana desde o princípio de 2012 repercutiu-se noutras cidades como Benguela e Lubango. Os manifestantes foram brutalmente reprimidos pelas autoridades.

Mbanza Hamza, do Movimento Revolucionário, disse que os protestos demonstraram que o poder de mudança está na juventude. “A rua é um grande meio e vamos continuar a usá-la” disse Hamza alegando que “as autoridades não aceitam discutir ideias na televisão pública e radio nacional, não nos dão espaço para as actividades que pretendemos realizar”.

Mais de 14 manifestações foram realizadas em ano de eleições gerais. A sua maioria foi organizada por jovens. O protesto de estreia ocorreu no dia 22 de Janeiro, em Cacuaco, quando jovens tentaram manifestar-se contra a falta de água nos seus bairros. Depois de iniciarem a sua marcha, um forte cordão policial travou a progressão à bastonada. Doze manifestantes foram detidos e oito deles condenados a três meses de cadeia.

Dia 3 de Fevereiro, também em Cacuaco, outros jovens são espancados e detidos quando tentavam sair as ruas para reivindicarem libertação de seus companheiros.
No dia 7 de Março, dois activistas, Mário Domingos e Kembamba são raptados nas imediações do tanque do Cazenga por indivíduos não identificados e são brutalmente espancados, ficando com ferimentos graves na cabeça.

Um grupo afecto às milícias pró-governamentais, armado com pistolas, catanas e barras de ferro, atacou manifestantes que havia ameaçado, em entrevistas emcapuzadas, nos meios oficiais de comunicação social.

Dia 9 de Março, vespera das manifestaçoes em Benguela e Luanda contra Suzana Inglês na presidência da Comissão Nacional Eleitoral a residência do rapper contestatário Casimiro Carbono é invadida por cerca de 15 homens.

De pistolas em punho, os atacantes espancaram violentamente Gaspar Luamba, Américo Vaz, Mbanza Hamza, Tukayano Rosalino, Alexandre Dias dos Santos, Jang Nómada, Massilon Chindombe, Mabiala Kianda, e Explosivo Mental. O anfitriao, Casimiro Carbono, escapou aos ataques por ter saído pouco antes para atender um telefonema.

“Eles já não esperavam manifestações, invadiram duas vezes os nossos locais de reuniões e quando houvesse manifestações eles não permitiam aglomerações”, contou o jovem Hamza.

Dia 10 de Março em Luanda no largo 1º de Maio, os manifestantes foram agredidos por um grupo de milícias. Os agressores perante a passividade da polícia, recorreram a barras de ferro, cabos eléctricos, porretes, paus e pedras para dispersar os manifestantes.

Filomeno Viera Lopes, Secretário Geral do partido Bloco Democrático (BD) que aderiu à manifestação, foi dos que mais sofreu com três fracturas no braço direito. Neste mesmo dia em Benguela, Hugo Kalumbo, Jesse Lufendo  e David foram detidos por se juntarem à manifestação para exigir a demissão de Suzana Inglês da presidência da CNE.

Alves Kamulingue e Isaías Cassule, soldados da guarda presidencial foram raptados nos dias 27 e 29 de Maio, Luanda quando tentavam organizar protestos para exigir o aumento dos seus subsídios. Ate ao momento desconhece-se o paradeiro dos mesmos.

Dia 20 Junho, a polícia de intervenção rápida reprime em Luanda, antigos combatentes que saíram às ruas para exigirem do governo o pagamento de pensões. Enquanto em Benguela, ex-agentes da segurança de estado ameavam boicotar as eleições de 31 de Agosto, em exigência da sua desmobilização e reintegração social, aguardada há 20 anos.

A 3 de Agosto um forte dispositivo combinado da Polícia de Intervenção Rápida (PIR), agentes da ordem pública e dos Serviços de Inteligência e Segurança de Estado (SINSE), dispersaram de forma violenta, uma concentração de veteranos de guerra que se preparava para realizar uma manifestação na cidade do Lubango, província da Huíla.
No acto, as forças policiais detiveram 14 manifestantes e um jornalista que cobria a tentativa pacífica de protesto que, entretanto, foram libertados depois de cerca de 10 horas, no Comando Municipal do Lubango.

Dia 31 de Agosto é realizada as eleiçoes gerais Angola e o MPLA vence com uma maioria qualifificada. A oposição contesta os resultados eleitorais, alegando ter havido fraude, e José Eduardo Santos toma posse como presidente de Angola, no dia 26 de Setembro.
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