quarta-feira, 10 fevereiro, 2016. 02:37 UTC

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    Al-Qaeda criou o seu "país" no norte do Mali

    Os extremistas criaram bases no deserto, austero e rochoso onde "cavaram túneis, fizeram estradas, trouxeram geradores e painéis solares e vivem no interior das rochas." Usaram explosivos apreendidos e tractores para fazerem passagens nas montanhas.

    Milícias extremistas da al-Qaeda, no norte do Mali
    Milícias extremistas da al-Qaeda, no norte do Mali

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    Redacção VOA
    A organização terrorista al-Qaeda transformou o norte do Mali numa espécie de estado sob o seu controle segundo constataram jornalistas da Associated Press na região. Esta área, de 620 mil quilómetros quadrados, é quase igual à do Afeganistão e transformou-se numa base para o terrorismo internacional.

    Nas profundezas das cavernas, em bases remotas no deserto e nas falésias do norte do Mali, combatentes islâmicos estão a criar uma rede de defesas para proteger o que, essencialmente, se tornou o novo país da Al-Qaeda.

    Usaram tractores e numerosas máquinas Caterpillar deixadas pelas empresas de construção civil que fugiram da zona, para escavarem o que os moradores e autoridades locais descrevem como uma sofisticada rede de túneis, trincheiras, e muralhas.

    Num dos casos, uma caverna tão grande que podem lá circular camiões, estão armazenados mais de 100 barris de gasolina, garantindo abastecimento das forças da a-Qaeda em caso de ataque.

    O norte do Mali é hoje o maior território controlado pela Al-Qaeda e seus aliados. Enquanto a comunidade internacional hesita sobre uma anunciada intervenção militar, os extremistas que tomaram o controle da área no início deste preparam-se para uma guerra que, garantem, será pior do que a do Afeganistão.

    "Al-Qaeda nunca controlou o Afeganistão mas agora é dona do norte do Mali", disse o ex-diplomata canadiano das Nações Unidas, Robert Fowler, que foi prisioneiro da al-Qaeda no Magreb Islâmico. Nos últimos meses, a al-Qaeda e os seus aliados aproveitaram a instabilidade política no país para saírem dos seus esconderijos e entrarem nas cidades, controlando um enorme território que está a ser usado para armazenar armas, treinar guerrilheiros e preparar uma jihad global.

    A área sob o seu domínio é na maior parte do deserto e pouco povoada, mas analistas dizem que, devido ao seu tamanho e à natureza hostil do terreno, expulsar os extremistas aqui poderia ser ainda mais difícil do que no Afeganistão.

    A Al-Qaeda no Magreb Islâmico, não opera apenas no Mali, mas num vasto corredor ao longo de grande parte do norte do Sahel norte, numa faixa de 7.000 km que atravessa a maior parte da África, e inclui partes da Mauritânia, Níger, Argélia, Líbia, Burkina Faso e Chade. Analistas dizem, que não há uma estratégia de contenção da al-Qaeda, nesta zona.

    No início deste ano, 15 países da África Ocidental, incluindo Mali, concordaram com uma intervenção militar. O Conselho de Segurança da ONU autorizou-a, mas impôs condições que a poderão adiar o seu início por 10 meses.

    Enquanto isso, os extremistas preparam-se e criaram, de acordo com testemunhos na região, duas bases, cerca de 200 a 300 quilómetros a norte de Kidal, no deserto, austero e rochoso. Uma é de extremistas locais, onde "os islamitas cavaram túneis, fizeram estradas, trouxeram geradores e painéis solares para terem electricidade e vivem no interior das rochas." Mais ao norte, perto de Boghassa, há uma segunda base, criada por lutadores do Ansar al-Dine, que usaram explosivos apreendidos, tractores e marretas para fazerem passagens nas montanhas.

    O presidente da câmara de Timbuktu, Ousmane Halle, alerta que, quando ouviram falar em intervenção militar estrangeira, os extremistas saíram de Timbuktu. Mas a sua presença foi reforçada quando perceberam que a intervenção seria adiada.

    Residentes de Gao, dizem que vêem com frequência Moktar Belmoktar, o emir de um só olho, líder da célula local da Al-Qaeda. Autoruidades locais dizem que eles estão armados com mísseis terra-ar SA-7 e SA-2. Esta revelação não pôde ser confirmada, mas Rudolph Atallah, ex-diretor de contra-terrorismo para África no Gabinete do Secretário de Defesa, disse que faz sentido.

    Segundo ele, "Kadafi comprou tudo e mais alguma coisa" e após sua caótica queda e morte é possível que terroristas tenham, obtido parte do arsenal líbio e tentem usá-lo contra forças estrangeiras quando estas finalmente chegarem.
    Para já, enquanto o mundo hesita, a al-Qaeda prepara-se.
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