sábado, 25 outubro, 2014. 05:33 UTC

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Republicanos estudam lições da derrota nas presidenciais

O Partido Republicano dos Estados Unidos está a tentar recompor-se da derrota nas eleições presidenciais do dia 6 deste mês. Mas não há acordo interno sobre o que deve ser feito.

Redacção VOA
O Partido Republicano dos Estados Unidos está a tentar recompor-se da derrota nas eleições presidenciais do dia 6 deste mês. Mas não há acordo interno sobre o que deve ser feito. Uma ala crê que os republicanos devem modernizar-se; outra facção advoga o endurecimento do carácter conservador do partido.

Na noite das eleições, conforme os números foram dando vantagem a Barack Obama, as sondagens à boca das urnas revelavam um movimento sísmico na política americana.

O voto dos brancos, que há 20 anos representava 82% do eleitorado, baixou para 72%... E esse foi o único grupo de eleitores em que o candidato republicano Mitt Romney teve bons resultados, conquistando 59% dos seus votos.

Mas entre os restantes grupos Obama foi o favorito: 55% dos votos das mulheres, 60% dos votos dos jovens, 71% dos votos dos latinos, 73% dos votos dos asiáticos e 93% dos votos dos negros.

Os latinos são o grupo em maior crescimento e a população deste grupo vai ultrapassar, em números, a população branca em meados deste século.

Face a esta desastre demográfico, os republicanos começaram a dizer, em entrevistas e mesas redondas, que o partido deve modernizar-se e que, em vez de tentar chegar ao poder através do voto dos brancos, deve tentar alargar a sua base de apoio entre todos os grupos étnicos, raciais e sociais.

Na base desta lógica está a rejeição do monolitismo político desses grupos. Há negros mais ou menos conservadores, assim como nem todos os latinos concordam com todas as políticas do Partido Democrático.

Mas o Partido Republicano foi abertamente hostil para com todos esses grupos, levando a votar em Obama quem concordava com ele, e quem não concordava mas receava que Romney e a muito visível facção ultra-conservadora do seu partido lançasse a América num período de intolerância.

Várias vozes ergueram-se contra o conservadorismo exagerado do Partido – representado pelas facções chamadas Tea Party e evangélicos –  tentando recuperar a ala moderada de Nixon ou de George Bush pai.

Mas os conservadores contrapõem: agora o problema do partido não é o excesso de conservadorismo, mas o facto de não ter sido suficientemente conservador.

E mostram, como trunfo, o senador-eleito do Texas, Ted Cruz, que se considera ultra-conservador e se considera exemplo de sucesso da ala ultra direita do partido.

Os moderados notam que cruz venceu em apena sum estado e bastante conservador. E que as eleições nacionais são mais exigentes. “Nós somos o partido de todos os americanos e não apenas dos que se parecem connosco”, disse na cadeia de televisão ABC o líder republicano da Câmara dos Representantes, John Boehner.

Com candidatos a prometerem ilegalizar o aborto para as vítimas de violação sexual, ou a dizerem que a metade não branca do país quer viver à custa do estado, ou a pretenderem deportar os filhos de imigrantes ilegais que chegaram aqui em crianças com os pais, ou a aumentaram as taxas de juro dos empréstimos aos estudantes para pagar o ensino superior – tudo isto pode dar a ideia de que os republicanos não se preocupam com as pessoas, com o cidadão comum, mas apenas com os ricos e as empresas…

É isto o que dizem muitos líderes republicanos receosos de que, com o passar dos anos e os brancos em minoria, o partido passe a ser irrelevante.

Esse debate vai demorar e irá acompanhar a transformação da paisagem política americana. E na política americana tudo muda muito com o passar dos anos.

Há 150 anos, por exemplo, o Partido Republicano era contra a escravatura, e aboliu-a, e o Partido Democrático era a favor da escravatura. Hoje 95% dos negros identificam-se com o Partido Democrático.

A América, e os que seguem a sua política, ficam à espera de ver no que resulta o debate em curso no Partido Republicano.
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