sábado, 26 julho, 2014. 13:10 UTC

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Violação brutal de mulher moçambicana gera polémica

17 violadores estão em liberdade e a polícia não investigou o caso

Mulher de Pemba (foto de arquivo)
Mulher de Pemba (foto de arquivo)
Johannes Myburgh

Violadores estão em liberdade

Em Moçambique, activistas e advogados estão a exigir justiça no caso da violação de uma mulher por um grupo de rapazes no norte do país em Dezembro último.

Os investigadores alegadamente não visitaram o local do crime e os 17 violadores estão em liberdade enquanto as tradições se confrontam com a lei.

Uma mulher de 34 anos estava a apanhar castanha de caju num terreno pacato perto da sua casa em Pemba no passado mês de Dezembro. Foi quando quatro homens a agarraram, acusando-a de ter entrado sem autorização numa área onde decorria uma cerimónia de iniciação de rapazes da tribo dos Macondes e disseram que ela devia ser castigada.

Isabel, como os seus apoiantes a chamam para proteger a sua identidade, descreveu o que aconteceu a seguir, evitando o contacto visual enquanto lágrimas escorriam-lhe pela face.

“Eles vieram ter comigo e começaram a despir-me. Maltrataram-me, forçando-me a ter sexo com eles. Eram as pessoas da cerimónia de iniciação. Depois de terem abusado de mim e terem sexo comigo, ficaram cansados, por isso levaram os rapazes que estavam a ser iniciados e forçaram-me.”

Os filhos de Isabel correram em busca do pai. Quando chegou ao local disse ter sido forçado a assistir ao ataque. Um sobrinho de Isabel disse que os atacantes eram demasiado para serem contados.

A família foi à Polícia quando os atacantes exigiram uma soma de 5000 meticais (cerca de 190 dólares norte-americanos). Isabel foi libertada e levada ao hospital. Mas os seus violadores estão também em liberdade e disse que os viu na área do ataque, conhecida por Expansão, onde ela viveu. O seu sobrinho afirmou que isso prolonga o mau momento porque a família passou.

Grupos de direitos humanos disseram que os investigadores ainda não visitaram o terreno onde o alegado ataque ocorreu. Quando a Voz da América visitou o local, as roupas de Isabel ainda estavam no chão, assim como cerca de 20 garrafas de uma bebida alcoólica. A Polícia ainda não respondeu aos repetidos pedidos para um comentário.

O chamado “castigo” de Isabel causou uma onda de discussões entre grupos de mulheres e defensores das tradições em Moçambique.

O país aprovou uma lei contra a violência doméstica em 2009, mas ela não está a ser executada, disse Maria José Arthur, da organização de direitos Mulheres e Lei na África Austral.

O jornalista moçambicano Pedro Nacuo escreveu no diário estatal “Notícias” que ninguém condenou a violação de Isabel, severa como foi, por causa das tradições. Nacuo mais tarde pediu desculpa por ele próprio não ter condenado a violação inicialmente.

Organizações de mulheres estão a pressionar o governo moçambicano a tomar medidas no caso de Isabel. Júlia Wachave actua como conselheira legal de Isabel e está ultrajada pelo facto de sete dos suspeitos terem sido libertados antes mesmo de a Polícia receber um depoimento da vítima.

O Procurador-Geral da República de Moçambique, Augusto Paulino, pediu um relatório do incidente. Uma conta bancária foi aberta para pagar os tratamentos de Isabel e a sua família mudou-se para outra área na cidade de Pemba, disse Júlia Wachave

Entretanto, Isabel está receosa de que os seus atacantes voltem novamente. Ela quer que eles sejam presos por forma a não magoarem outras pessoas.

“Essas pessoas não podem andar livres. Não podem andar livres porque sinto a morte pairar sobre mim.”

O forúm foi encerrado
Comentário
Comentários
     
por: Bente
18.03.2012 03:15
Propriamente dito, este crime nao se trata de violencia domestica, mas de violencia contra uma mulher. Ela foi atacada e violada pelos agressores nao-familares. O problema que se coloca é a ignirancia da policia quando se trata de uma vitima mulher! Isto dito, é verdade que a lei contra violencia domestica nao esta a ser aplicada ou respeitada!


por: Diogo
16.03.2012 22:59
É triste ver uma noticia como esta, de violação da mulher que foi feita por anciãos e depois de se deliciarem chamaram os iniciandos para fazer o mesmo acto. A tradição não pode ferir a dignidade da pessoa humana. Os autores devem ser responsabilizados pelo seu crime. Eles feriram a humanidade e a dignidade dessa mulher. Se a justiça em Moçambique funciona! Que se faça justiça.


por: Bailundo
16.03.2012 14:45
Que pena! As tradições existem para o bem da sociedade ou para o mal da sociedade? É insuportavél e inacreditável um País como Moçambique exista asnos apoiados pela polícia em pleno Século XXl


por: justiny
16.03.2012 14:16
realmente é muito triste
pergunto onde esta a justiça desse pais
cade voces responsaveis pelos direitos humanos *
Moç cada vez esta pioe é uma vergonha


por: justiny
16.03.2012 14:16
realmente é muito triste
pergunto onde esta a justiça desse pais
cade voces responsaveis pelos direitos humanos *
Moç cada vez esta pioe é uma vergonha


por: Jose
15.03.2012 20:28
Mocamobique ainda esta na idade de pedra,que aprenda com os cabo verdianos,modestia a parte.Isso e inaceitavel para o homem civilizado dos tempos modernos.

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