quinta-feira, 18 dezembro, 2014. 12:27 UTC

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Samakuva: "UNITA já ultrapassou trauma da morte de Savimbi"

Samakuva considera que a UNITA cumpriu com todas as suas tarefas no processo de paz.

Presidente Ronald Reagan recebe Jonas Savimbi, na Sala Oval da Casa Branca, na década de 80
Presidente Ronald Reagan recebe Jonas Savimbi, na Sala Oval da Casa Branca, na década de 80
Eduardo Ferro

Comentando o décimo aniversário da morte do líder histórico da UNITA o actual presidente do maior partido da oposição angolana, Isaías Samakuva, afirmou que a  UNITA ultrapassou  já o "trauma" da morte de Jonas Savimbi, fundador e primeiro líder daquela organização.

"Podemos dizer, sem receio de errar, que dez anos depois, a UNITA conseguiu ultrapassar o trauma resultante do desaparecimento físico do seu líder e conseguiu manter-se viva em torno dos seus ideais", disse Isaías Samakuva, que sucedeu a Jonas Savimbi no congresso de 2003.

A morte do fundador permitiu ao partido abraçar um "processo de democratização interna", disse ainda Isaías Samakuva, que sublinhou o facto de o partido ter sido pioneiro em Angola na organização de processos eleitorais internos, com a realização de três congressos.

Quanto ao processo de reconciliação nacional, Samakuva considera que a UNITA "cumpriu" com todas as suas tarefas do processo de paz, "apesar da perseguição e da intimidação de que são alvos os seus membros".

Por seu lado Abílio Camalata Numa, um dos últimos oficiais do braço armado da UNITA que acompanhou Savimibi até ao fim,  afirmou  que a sua morte foi desnecessária, porque estava prestes a conclusão de um acordo.

Para Numa, se o desfecho não tivesse sido este, Angola teria alcançado na mesma a paz, porque, segundo afirma, "psicologicamente o país não tinha mais força para poder continuar com guerras durante muito mais tempo".

De acordo com o general da Unita , Jonas Savimbi perspectivava, após a assinatura de um acordo de paz, a união do partido para "prosseguir a luta política".

Apesar da perspectiva de um acordo Camalata Numa realçou contudo  que nunca acreditou em negociações entre o Governo e a UNITA, já que, afirmou, "a história tinha ensinado" que os seus adversários não eram "muito sérios em termos de negociação" e "nunca honraram nenhum acordo".

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