sábado, 06 fevereiro, 2016. 20:32 UTC

    Notícias / África e Mundo

    Cientistas reúnem-se para travar a devastação de pragas da mandioca em África

    Redução dos actuais níveis de produção pode afectar 300 milhões de pessoas e os ciêntistas pretendem colocar a África Ocidental de fora da ameaça

    Ann Look
    Cientistas e especialistas agrícolas estão reundios em Bellagio na Itália para debater vias de combate de um vírus que tem destruído a cultura da mandioca na África Oriental há quase uma década.

    O surgimento recente desse “rápido e proliferante” virus na República Democrática do Congo e Angola tem levantado preocupações de que o mesmo está em avanço para África Ocidental, e poderia atingir a Nigéria, o maior produtor e consumidor mundial de mandioca.

    A mandioca é um tuberculo tropical, e poderá ser um milagre agricola para África. Cresce bem em terrenos pobres e em regiões de temperaturas elevadas, sendo assim resistente as mudanças climáticas, e requer pouca assistência. O seu tubérculo é rico em carbohidratos, vitaminas e minerais, e tem assegurado a dieta alimentar em todo o continente africano, e poderá alimentar no futuro, outros tantos milhões de pessoas.

    A mandioca está a ser usada igualmente como um produto industrial, com a sua goma a ser empregue na produção de contraplacados, téxteis e papel – materiais que os especilaistas afirmam estar em vias de mudar as economias africanas e que países como a Nigéria já começaram a investir nesse domínio. Mas as doenças da mandioca têm contrariado as expectativas de agricultores africanos há uma centena de anos.

    Uma dessas doenças,o vestígio castanho da mandioca, em particular, começou a dizimar plantações há dez anos na África Oriental, e actualmente está em avanço para a República Democrática do Congo. Essa praga da mandioca alastra-se de duas formas: através de insectos brancos, que os cintistas até afirmam não provocar o corte de produção nos países afectados, e através de estacas infectadas, que os agricultores usam para renovar as plantações.

    O agrónomo Claude Fauquet dirige um grupo de Parceria Global da Mandioca para o século 21, e fala dos estragos dessa praga.

    “A doença de estaca ou vestigio castanho da mandioca não se manifesta na planta como tal. A planta até cresce saudavelmente, mas a doença afecta apenas os tubérculos e só se dá conta dela durante a colheita. Ela retarda o surgimento do tubérculo. E não há nada que os agricultores possam fazer e nem mesmo os cinetistas ou organizações. Talvez  o bom seria, em oferecer estacas, livres desse virus, ou selecionar um novo tipo de estacas de mandioca cujos genes fossem resistentes a essa doença.”

    Claude Fauquet disse que os cientistas chegaram a desenvolver uma variedade da planta de mandioca resistente ao virus e estão a experimenta-la na Tanzania. Fazem-no através de alterações nos laboratórios, e depois no terreno, vão de aldeia em aldeia, propondo aos agricultores esta nova variedade.

    O agrónomo acrescentou que com essa nova planta, tem havido sucesso contra a praga de Mosaico da Mandioca, também conhecida por CMD. É a mais comum das doenças de mandioca em África e actualmente está quase que erradicada no continente. A CMD afecta inicialmente a planta da mandioca e não o tubérculo num primeiro tempo, permitindo que o agricultor possa salvar parte da cultura. O que não acontece no caso da doença de vestigios castanhos.

    “Os tubérculos ficam completamente atrofiados. Os agricultores perdem completamente tudo. Enquanto a planta vai mostrando sinais de crescimento, eles vao trabalhando a terra, gastam energia..e um ano, ou 18 meses mais tarde, todas as raizes estão presentes, mas atrofiadas, e não podem ser comidas e nem processadas. Nem podem mesmo alimentar animais. Perde-se a produção durante um ciclo.”

    Os especialistas afirmam que essa doença de vestígios castanhos de estacas da mandioca pode causar o corte em metade da produção de mandioca em África, e afectar 300 milhões de pessoas.

    O engenheiro agrónomo Claude Fauquet considera que se deve agir com rapidez para evitar que a mesma se propague para a Africa Ocidental onde os países, como por exemplo a Nigéria dependem da produção de mandioca.
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