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Zika no Brasil é mais grave do que se imaginava

  • Patrick Vaz

Nem todas as mulheres grávidas com zika terão bebês com microcefalia, contudo os médicos não dão garantias

A zika no Brasil é uma doença muito mais grave e complexa do que se imaginava. Apesar de recente no país, os danos causados no ser humano chegam a ser irreversíveis e assustam os pesquisadores. Os estudos ainda são iniciais, mas já se sabe que o melhor remédio para evitá-la é a prevenção contra o mosquito transmissor e até mesmo durante o ato sexual.

A análise é feita pelo infectologista Carlos Starling.

“Podemos constatar que é uma doença que está se mostrando cada dia mais complexa. Principalmente pelo fato de se manifestar por meio de outras formas de transmissão, como por exemplo através do ato sexual e não apenas pela contaminação do mosquito Aedes aegypti. A questão da microcefalia em bebês, a associação com a síndrome de Guillain Barré, ou seja, é uma doença que nós ainda temos que estudar muito. Certamente teremos novas surpresas sobre ela”, disse.

Starling acredita que a chegada do tempo seco, sem a incidência de chuvas no Brasil, não vai acabar com a zika. Pelo contrário, a doença vai continuar se propagando por todo o país mesmo que numa incidência menor em comparação ao período chuvoso.

“Vamos continuar o ano todo tendo casos de zika, chikungunya e dengue. Talvez com uma incidência um pouco menor nestes meses mais frios. Não temos um inverno tão rigoroso e caracterizado como ocorre no hemisfério norte. Então achamos que vamos continuar tendo essas doenças no decorrer do ano com uma freqüência um pouco menor”, ressaltou.

Carlos Starling também alerta os estrangeiros que virão para o Brasil acompanhar as Olimpíadas em Agosto. Os cuidados deverão ser tomados de igual forma aos nativos, uma vez que a zika está presente e consolidada no país.

“Quem vier para cá vai ter que se prevenir como todos os brasileiros. Tomar todos os cuidados necessários para não contrair a doença. Usar repelentes, roupas de mangas longas, calças e blusas o que vai até estar mais adequado por causa do clima mais ameno entre Julho e Agosto, mas ainda sim tem que tomar cuidado”, concluiu.

Último balanço da zika no Brasil apresentado pelo Ministério da Saúde mostra que entre Fevereiro e Abril deste ano foram notificados 91,3 mil casos da doença. A taxa de incidência, que considera a proporção dos casos, hoje é de 44,7 casos para 100 mil brasileiros.

O sudeste brasileiro é a região com maior incidência de casos prováveis, são 35.505. Em seguida está o Nordeste (30.286), Centro-Oeste (17.504), Norte (6.295) e Sul (1.797).

Em relação às gestantes, até Abril deste ano 7.584 estão com a suspeita da doença. Dessas, 2.884 já estão diagnosticadas com a zika. Mas isso não significa que todas essas mulheres infectadas pelo vírus durante a gravidez vão ter um bebê com microcefalia.

*escrito de acordo com a ortografia do Brasil
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