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Violência e instabilidade na RD Congo analisadas em Angola


Violência na capital da RD Congo, Kinshasa, 19 Set 2016.

Violência na capital da RD Congo, Kinshasa, 19 Set 2016.

A situação de instabilidade política na República Democrática do Congo vai ser analisada, nos próximos dias em Luanda, durante uma cimeira de chefes de estado convocada pelas autoridades angolanas, na qualidade de presidente da conferência internacional da região dos Grandes Lagos.

Bernardino Neto analista de Relações Internacionais e Sérgio Calundungo, especialista em projectos de desenvolvimento, falaram com a VOA sobre o tema:


A onda de violência que assolou nos últimos dias a República Democrática do Congo, está a preocupar os países membros da região dos grandes lagos, a julgar pelo ambiente de incertezas quanto a realização de eleições gerais, condicionada alegadamente por razões logísticas e financeiras.

A República Democrática do Congo continua a revelar-se um país instável com um cenário de conflitos entre vários grupos rivais. O governo central também atravessa uma crise política, cujas consequências ameaçam os países vizinhos.

Joseph Kabila encontrou-se com o Papa a 26 de Setembro 2016

Joseph Kabila encontrou-se com o Papa a 26 de Setembro 2016



Os protestos contra o Presidente Joseph Kabila, na última semana, causaram pelo menos 50 mortos, segundo as Nações Unidas.

Na sua primeira reacção oficial à mais recente onda de violência em Kinshasa, o Presidente da RDC apelou à calma e alertou para a importância da estabilidade no país “para não gerar instabilidade em todo o continente.

Por sua vez, o chefe da diplomacia angolana disse que Angola encoraja o Governo congolês a prosseguir com o diálogo político nacional, apesar dos líderes da oposição se recusarem a fazer parte.

Angola Ministro das relações exteriores Georges Chikoti

Angola Ministro das relações exteriores Georges Chikoti


Georges Chikoti, que falava à imprensa angolana em Nova Iorque no final de um encontro com o seu homólogo congolês Raymond Tshibanda anunciou, para os próximos dias, a realização de uma cimeira para serem discutidas propostas de soluções para a situação na República Democrática do Congo.

O ministro angolano das Relações Exteriores afirmou que Angola não tem tropas na República Democrática do Congo e garantiu, por outro lado, serem falsas as informações segundo as quais ocorreram ataques directos às instalações da Embaixada de Angola em Kinshasa, perpetrados por manifestantes que exigem a saída do Presidente Joseph Kabila no final do mandato, em Dezembro.

Homem feirdo durante manifestações na Rep Dem Congo a 20 Set 2016

Homem feirdo durante manifestações na Rep Dem Congo a 20 Set 2016







Num comunicado divulgado na semana passada pela Divisão Paz e
Segurança da Comissão Africana, Dlamini Zuma disse acompanhar “com
profunda preocupação” a situação na RDC e ter notado que, apesar da
autorização concedida às manifestações pelas autoridades, estas
“saldaram-se em perdas deploráveis de vidas humanas e numerosos danos
materiais”

Para Sérgio Calundungo, especialista em projectos de desenvolvimento,
Joseph Kabila tem vindo a comportar-se como um herdeiro do poder na
RDC. Sustenta que o presidente cessante da República Democrática do
Congo está, agora a encontrar dificuldades para legitimar o seu poder.

A concertação é a única via para um consenso sobre a organização de
eleições transparentes, livres e credíveis, na RDC. A classe política
congolesa está a ser exortada a dar “prova de moderação e de sentido
elevado de responsabilidade.

Bernardino Neto constata, por outro lado, haver na República
Democrática do Congo, uma tentativa de baralhar o jogo e criar
incertezas sobre a responsabilidade que as autoridades devem assumir
sobre o futuro do país.

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