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Veteranos sentem-se abandonados no Kwanza Sul

  • Fernando Caetano

Situação é descrita como crítica por dirigente da Ascofa

Os antigos militares na província de Kwanza-Sul dizem estar abandonados pelas autoridades e admitem mesmo organizar uma manifestação contra o abandono a que se sentem votados.

Em conversa com a Voz da América sob a condição de anonimato, vários veteranos de guerra referiram-se ao subsídio de combatentes da liberdade como uma gota no oceano das dificuldades que enfrentam, à qual se deve acrescentar as deficientes condições habitacionais, e falta de apoio para formação de associações agrícolas ou outras.

Para tentarem sobreviver os veteranos por toda província desdobram-se em actividades como roboteiros, moto-taxistas, pescadores, alfaiates e sapateiros, mas muitos são mendigos que vivem da caridade pública.

Por estes motivos, aqueles antigos combatentes admitem manifestar-se contra o abandono a que estão votados pelo Governo.

Em declarações à radio local o chefe de departamento da Associação dos ex-Combatentes das ex-FAPLA (Ascofa) no Kuanza-Sul Alfredo Santos disse que a situação na província “é altamente crítica”.

Embora a esmagadora maioria dos 16.168 elementos das ex FAPLA associados na Ascofa tenham recebido subsídios, a situação no geral não é “satisfatória”.

Santos disse que o governo prometeu que dentro em breve haverá “a segunda leva de pagamento”, acrescentando que é na questão da habitação que a situação é “mais grave”.

Aquele responsável disse que a Ascofa “tem sabido mobilizar os nossos camaradas para não pautarem pelas violências, revoltas ou mesmo por ilegalidades”.

O descontentamento de Alfredo Santos é corroborado pelo seu homólogo da Associação dos Antigos Guerrilheiros de Angola Fernando Mouzinho Paulino.

Para ele as actuais condições em que vivem os ex-militares não dignificam em nada aqueles que deram o máximo para que Angola hoje vivesse paz efectiva:

«A situação dos ex-militares no Cuanza-Sul é péssima”, disse.

Paulino disse que o Presidente da Republica tinha emitido um despacho em que “orientava a criação das condições para os antigos guerrilheiros” mas nada aconteceu.

Do lado oficial não há resposta .

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