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Venezuela entre a calma e novos protestos

  • Alvaro Ludgero Andrade

Venezuela Protests

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Líder da oposição que se entregou é apresentado hoje ao tribunal.

O líder da oposição venezuelana, Leopoldo López, entregou-se ontem à polícia depois de a procuradoria da república emitir um mandado de captura na passada quinta-feira.


Logo depois de ter sido acompanhado pelo presidente da assembleia nacional para uma cadeia no interior do país cujo local não foi informado, foi divulgado nas redes sociais um vídeo gravado por López antes da prisão, no qual reitera o seu empenho em lutar por mudanças.

Leopoldo López será apresentado ao tribunal dentro de momentos, facto que mantém Caracas e outras cidades numa tensa calma.

Mas de acordo com a jornalista brasileira Eliana Jorge radicada em Caracas dependendo da decisão do tribunal os manifestantes podem voltar ou não às ruas.

Segundo a jornalista o grande problema na Venezuela não é político, mas sim económico, com a inflação a ser a mais alta da América Latina e a escassez de produtos a atingir os 28 por cento em Janeiro.

Jorge diz que, apesar da bipolarização, entre chavistas e opositores, os protestos têm lugar em áreas também controladas por apoiantes do Governo, como se pôde ver ontem no "cazuelazo" em Caracas.

As manifestações contra o Governo de Nicolás Maduro começaram no passado 12, dia da juventude e levaram à rua milhares de pessoas em todo o país. Os primeiros confrontos entre a polícia e os manifestantes deixaram 3 mortos e dezenas de feridos, tendo sido detidos também alguns deputados, cujo paradeiro se desconhece.

O presidente Maduro responsabilizou os Estados Unidos por incitar as manifestações e expulsou três diplomatas americanos no domingo.

Em Washington, uma porta-voz do Departamento de Estado considerou "falsas e sem fundamento" as acusações da Venezuela sobre um envolvimento dos Estados Unidos nos protestos antigovernamentais.

"Apoiamos os direitos humanos e as liberdades fundamentais -- incluindo a liberdade de expressão e de reunião pacífica -- na Venezuela como em qualquer outro país do mundo", afirmou Jen Psaki.

Refira-se que o Governo da Venezuela proibiu às emissoras de televisão transmitirem imagens das manifestações e, devido à crise, muitos jornais deixaram de ser publicados por falta de papel.
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