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Unita e MPLA trocam acusações sobre seita A Luz do Mundo

  • Arão Ndipa

Mais de uma semana depois dos confrontos no Huambo entre as autoridades e a seita religiosa A Luz do Mundo, o debate em Angola está a ser marcado por acusações e contra-acusações spbre os responsáveis pela tragédia.

Ao mesmo tempo, analistas e membros do Governo discutem as razões que podem levar milhares de pessoas a aderirem a seitas de caracter e ensinamentos duvidosos e como é que o Executivo deve reagir a esse fenómeno

Segundo as autoridades, nove polícias e menos de 20 civis morreram nos confrontos, mas notícias provenientes da zona dos confrontos afirmam que centenas de pessoas foram massacradas.

As autoridades isolaram a área e não permitem a entrada de observadores ou jornalistas no local.

O líder da seita, José Julino Kalupeteka, foi preso mas desconhece-se o seu paradeiro e as autoridades não permitiram até agora acesso ao detido. Há noticias de que o mesmo foi espancado e se encontra hospitalizado.

Joaquim Nafoia, da Unita, disse o líder da seita religiosa envolvida nos confrontos fez campanha eleitoral pelo MPLA nas duas "ultimas eleições".

“Kalupeteka fez campanha do MPLA em 2008 e 2012”, revelou Nafoia, acrescentando que grande parte das seitas religiosas angolanas “são suportadas pelo partido no poder para fins eleitorais”.

“O administrador municipal do Huambo pertence a essa seita”, acrescentou.

Nafoia negou que a alegada presença de material da Unita no acampamento onde se encontravam milhares de seguidores da seita A Luz do Mundo, se confirmada, não constitui qualquer “prova” de apoio da Unita a esse movimento.

Segundo ele, Kalupeteka arrastou milhares de pessoas para a sua seita e entre essass pessoas há membros ou simpatizantes de todos os partidos.

A acusação de que o próprio Kalupeteka pertenceu ao exército da Unita, FALA, também não tem qualquer significado, pois hoje há ex-elementos das FALA na polícia e no exercito angolanos, afirmou aquele dirigente.

“Se cometerem algum crime passam a ser das FALA e deixam de ser da polícia ou exército?” interrogou.

A ministra da cultura Rosa Cruz e Silva disse que nada pode justificar a violência por parte das seitas religiosas.

A longa guerra em Angola tinha contribuído para o enfraquecimento das estruturas familiares e perda de valores “mas nada justifica que uma confissão religiosa possa usar a violência”, segundo Cruz e Silva.

Para além dos problemas sociais a guerra tinha também causado insuficiências no fornecimento de serviços de saúde, luz eléctrica, educação entre outros, facto que poderia contribuir para as pessoas procurarem pertencer em seitas religiosas.

O sociólogo Além Panzo disse que há líderes religiosos que estão “mais preocupados com perspectivas fanáticas do que com o avanço espiritual” e para quem “os seus valores são dogmas de fé que não podem ser alterados" .

Os incidentes com a seita A Luz do Mundo são um aviso de que “a religião pode ser um meio para a resolução de conflitos, mas também pode ser um meio para promover conflitos como se pode ver pelo mundo afora”, disse.

Para aquele especialsista, as autoridades devem repensar em como lidar com problemas causados por seitas religiosas.

“Não podemos esperar por situações mais drásticas para repensar (a questão)”, disse acrescentando que o Governo precisa criar mecanismos para que o comportamento das igrejas não viole os valores do estado angolano.

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