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Unita denuncia perseguição a 180 simpatizantes em Benguela

  • João Marcos

Eles terão sido "empurrados" para longe de casa no Cubal.

Cento e oitenta cidadãos, na sua maioria militantes da UNITA, foram empurrados para longe das suas casas por um agente da autoridade tradicional, no Cubal, província de Benguela, e encontram-se ao relento há mais de 20 dias.

A denúncia é de militantes do maior partido da oposição que, tal como o líder parlamentar Adalberto da Costa Júnior, dizem ser esse o principal reflexo do ataque a deputados do seu partido, do qual resultaram, três mortos, vários feridos e alguns desaparecidos.

Um dos quatro munícipes dados como desaparecido diz que mais de 50 militantes da UNITA viram queimadas as suas casas, numa cruzada orientada por um soba, como denunciou Adalberto da Costa Júnior.

A violência, conforme o relato, tem o suporte de membros de um auto-proclamado Movimento da Defesa Civil, encabeçado por supostos militantes do MPLA.

Capupa, uma das comunas do município do Cubal, continua sob o signo de instabilidade, ante a apatia, diz a fonte da VOA, da Administração e do Comando da Polícia.

“Tudo que é UNITA não pode atravessar o rio Songue para a margem esquerda, nas suas casas. É obrigatório. Quem quiser… neste caso, nós temos cerca de cento e oitenta e duas (182) pessoas fora das suas casas. Muitas moradias, as primeiras, foram queimadas, por isso há muita gente a viver ao relento’’, salienta a fonte que pediu o anonimato.

Entretanto, quem quiser regressar à sua casa, tem uma opção.

“Entregar tudo que tenha a ver com propaganda, como camisolas, chapéus e cartão, e tratar um outro cartão, do MPLA. São cerca de 53 casas queimadas, eles dizem que aqui não queremos a UNITA, isto é do MPLA’’, ressalta a fonte, lamentando a apatia das autoridades.

Sem confirmar ou desmentir o retrato da Capupa, outra fonte disse à VOA que episódios do género são frequentes em aldeias e comunas, com disputas entre o MPLA e a UNITA.

Contactados, o director provincial para a Ordem Pública e o porta-voz do Comando Provincial, Carlos Mota e Pinto Caimbambo, optaram por não prestar declarações.

Ambos disseram não ter conhecimento sobre o isolamento de cidadãos que estarão a ser obrigados a abraçar as cores do partido no poder.

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