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União Africana: Jean Ping insiste na sua recandidatura à liderança

  • Peter Heinlein

Novo edifício sede da União Africana, em Adis Abeba

Novo edifício sede da União Africana, em Adis Abeba

Jean Ping está perante uma batalha difícil, depois de ter visto a sua legitimidade posta em causa

A União Africana anda à procura de nova liderança, depois das quatro votações sem resultado, feitas esta semana, para a eleição do comissário da organização.

O futuro desta organização continental é aqui analisado na perspectiva do voto de não-confiança em Jean Ping, presidente da Comissão Executiva a União Africana.

A habitualmente sigilosa União Africana levou a cabo uma surpreendentemente aberta votação para a escolha da chefia do executivo daquela organização. Mas, num volte-face surpreendente ambos os candidatos foram derrotados.

Sala magna de reuniões da União Africana

Sala magna de reuniões da União Africana

O titular do cargo de chefe da Comissão Executiva, Jean Ping, do Gabão, eliminou a candidata sul-africana Nkosazana Dlamini-Zuma, que dificilmente a ultrapassou nas três votações entre os 53 Estados membros. Mas, numa quarta votação, no qual o nome de Jean Ping era o único em consideração, 21 países abstiveram-se, deixando-o sem a maioria de dois terços necessária para ser reeleito. Na prática, tratou-se de um voto de não-confiança.

Os líderes da Cimeira decidiram, então, que Ping e toda a Comissão Executiva deveriam permanecer em funções até Junho, altura em que haverá nova cimeira dos chefes de Estado e de governo.

Este fracasso sem precedentes levanta especulações acerca do futuro da liderança da União Africana. Vários nomes têm sido sugeridos como possíveis sucessores de Ping, entre eles o de Desiree Assogbavi, chefe do gabinete de ligação entre a União Africana e a Oxfam.

Uma cara nova é necessária para ajudar a sarar as profundas divisões reveladas na sequência da mais recente votação.

Desiree Assogbavi comenta o que se passou: “Todos nós sabemos como isto aconteceu, com um bloco contra outro bloco. E isto é lamentável e mostra um grande desacordo sobre a questão da liderança no seio da União, num sintoma de que as actuais normas de procedimento e deixaram que as decisões políticas prevalecessem”.

O principal consultor jurídico da União Africana, Ben Kioko, disse à VOA que as regras sobre a eleição não são claras. E adiantou que a comissão representativa das cinco regiões e os candidatos que não foram eleitos irão reunir-se em Março para decidir se são elegíveis.

Fontes diplomáticas da União Africana, com ligações estreitas com a África do Sul, sugerem que Dlamini-Zuma poderá não estar interessada a recandidatar-se e que poderão aparecer novos candidatos.

Fontes próximas de Jean Ping afirmam que este está determinado a vencer a reeleição e que está a escrever uma carta aos Estados membros, argumentando que goza da confiança da maioria.

Mehari Taddele, um analista político do Instituto para os Estudos de Segurança, em Adis Abeba, afirma que Jean Ping está perante uma batalha difícil, depois de ter visto a sua legitimidade posta em causa.

Assogbavi refere que um dos resultados positivos desta corrida à liderança foi o “surpreendente elevado padrão de democracia” que foi demonstrado. Apontando o padrão de fraude eleitoral prevalecente no continente africano, Assogbavi argumenta que, se os países membros respeitassem essas regras internamente como o fizeram durante a Cimeira da OUA, estar-se-ia a caminho de regimes democráticos estáveis.

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