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União Africana contradiz-se quanto às eleições na Etiópia

  • Redacção VOA

Eleições na Etiópia.

Eleições na Etiópia.

Partidos da oposição alegam intimidação.

A missão de observação eleitoral da União Africana apresenta relatos contraditórios sobre o processo de votação realizado domingo passado, 24, na Etiópia, mas sublinha que foram transparentes.

O chefe da missão, Hifikepunye Pohamba, ex-presidente da Namíbia, disse que os observadores viram, nalguns postos de votação, apoiantes da Frente Popular Revolucionária Democrática da Etiópia a exortaram abertamente os eleitores a votar a favor desse partido, que está no poder desde 1991.

Pohamba revelou também que a missão não teve informação sobre casos graves de violência ou problemas no dia da eleição, algumas mesas de votação foram abertas antes das seis, a hora estipulada, e, em muitos postos de votação, foram usadas urnas de lona escura e não transparente.

O mesmo Pohamba rematou: “A missão de observação eleitoral da União Africana concluiu que as eleições parlamentares foram calmas, pacíficas e credíveis, foi uma oportunidade dada a todo o povo etíope para expressar a sua escolha nas mesas de votação.”

A missão de observação da União Africana foi a única presente nas eleições e era constituída por 59 elementos, num país de 94 milhões de habitantes.

Quanto ao processo eleitoral, a oposição alega falta de financiamento, acesso desigual a recursos e intimidação. O Governo nega a acusação.

Pohamba, no entanto, apela à calma: “A missão de observação eleitoral da União Africana encoraja os partidos políticos, seus apoiantes e eleitorado a manterem o ambiente predominante de paz que caracterizou o período pré-eleitoral e o dia das eleições, e insta o uso de canais legais para reclamações e recursos caso exista alguma disputa pós-eleitoral”.

As eleições de domingo foram as primeiras à escala nacional desde a morte, em 2012, de Meles Zenawi, que ascendeu à Presidência na sequência de um golpe de Estado que afastou o Governo marxista.

O seu sucessor, Hailemariam Desalegn, um ex-académico, é tido como moderado. Mas a oposição diz que o seu Executivo manteve as fortes tácticas de repressão e manipulação.

A Frente Popular Revolucionária Democrática da Etiópia, partido de Hailemariam, votou recentemente na limitação de dois mandatos para o cargo de primeiro-ministro, significando que em caso de vitória ele apenas terá mais um mandato.

Os resultados finais são esperados a 22 de Junho.

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