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Um ano de Nyusi: muito ficou por fazer

  • Ramos Miguel

Tomada de posse de Filipe Nyusi

Tomada de posse de Filipe Nyusi

Analistas passam em revista o primeiro ano de mandato do Presidente moçambicano.

Filipe Nyusi completa nesta sexta-feira o primeiro ano como Presidente de Moçambique e analistas dizem que se se comparar aquilo que foi o seu discurso de investidura e o que, efectivamente, aconteceu,a sua acçao fica muito aquém das expectativas.

O investigador do Centro de Integridade Pública(CIP) Jorge Matine considera que o primeiro ano do mandato de Nyusi foi bastante conturbado, na sequência dos resultados do processo eleitoral de 2014, que decorreu com sobressaltos.

"O primeiro ano foi atípico por questões eleitorais que não foram resolvidas, pela legitimação do seu poder político e de liderança como Chefe de Estado e pelo conflito político-militar, ou seja, foram mais problemas e menos soluções", destacou.

“Foi um mandato à procura de soluções”, prosseguiu o investigador, para estes problemas que são bastante sensíveis e complexos, "e sobretudo de procura de legitimidade para resolver estes três dossiers, tendo em conta que os resultados eleitorais foram bastante contestados, o que tirou um pouco da legitimidade política do Presidente".

Ainda relativamente ao conflito político, Matine afirmou que neste primeiro ano de Nyusi como Presidente da República, "conseguiu-se identificar, em termos de discurso político, mas depois não se conseguiu identificar quais são as caçoes concretas que foram tomadas para que este discurso político se pudesse materializar".

Para o analista Tomás Rondinho, "neste primeiro ano, o Presidente Nyusi não fez nada, mas ele tem a opinião pública a seu favor, por acreditar que ele não fez nada porque o seu antecessor deixou os cofres do Estado vazios".

Entretanto, reiterando que Nyusi "não fez nada, e devia ter feito", Rondinho diz que "há muito investimento do Estado parado, alegadamente, por falta de dinheiro, tanto é assim que há muitas facturas de fornecedores de bens e serviços para o Estado datadas de finais de 2014 que ainda não foram pagas".

Por seu turno, o analista António Francisco considera que a Acão do Presidente Filipe Nyusi foi bastante influenciada pela atuação da Renamo, "porque muitas vezes, o Chefe de Estado se viu obrigado a dedicar muita parte do seu tempo à questão da tensão política".

Francisco referiu ainda que "as cheias do início de 2015, o facto de alguns parceiros de cooperação terem deixado de apoiar o Orçamento de Estado, a queda no mercado internacional, de preços dos produtos de exportação e a desvalorização do metical, entre outros fatores adversos, influenciaram também o desempenho do Presidente Nyusi".

Aparentemente, o primeiro ano do mandato de cinco anos de Filipe Nyusi foi assinalado sem pompa nem circunstancia, traduzindo a política de contenção de despesas que tem caracterizado a governação do actual Chefe de Estado.

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