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Turismo cultural poderá alavancar a economias, afirmam especialistas de Cabo Verde e Moçambique

  • Amâncio Miguel

Campo de Concentração do Tarrafal, Cabo Verde

Solange Macamo, de Moçambique; e Charles Akibodé, de Cabo Verde, partilham experiências de preservação de património no programa "Agenda Africana".

“Temos uma riqueza extraordinária que podemos oferecer ao mundo a partir da economia do turismo cultural, que pode ser a salvação de África”, afirma Chares Akibodé.

Akibodé, Presidente do Instituto de Investigação e Promoção Culturais de Cabo Verde, diz que no mundo “cada vez mais as pessoas estão à procura de sítios de memórias” e para aproveitar essa oportunidade os países deverão preparar espaços para o efeito.

Para o caso especifico de Cabo Verde, Akibodé dá o exemplo de locais associados ao comércio de escravos ou o Campo de Concentração do Tarrafal, que podem atrair turistas.

Charles Akibodé, Presidente do Instituto de Investigação e Promoção Culturais, Cabo Verde

Charles Akibodé, Presidente do Instituto de Investigação e Promoção Culturais, Cabo Verde

Mas a tarefa não é simples. “A maior dificuldade tem a ver com o desconhecimento, distanciamento em relação ao património histórico e memória colectiva”, diz Akibodé.

Em resposta a isso, o Instituto de Investigação e Promoção Culturais de Cabo Verde vai lançar um guia de identificação desses sítios nos 22 municípios do país.

Akibodé explica que é um inventário comunitário, participativo e inclusivo, que estimula as pessoas a perceberem que a preservação é tarefa de todos.

Tornar a cultura sustentável

Em Moçambique, há também uma visão sobre o turismo cultural, mas, neste momento, em termos de preservação, a prioridade vai para o património da luta armada, diz a Directora Nacional de Património Cultural, Solange Macamo.

Solange Macamo, Directora Nacional de Património Cultural, Moçambique

Solange Macamo, Directora Nacional de Património Cultural, Moçambique

Tal, diz Macamo, não significa necessariamente que as outras áreas são negligenciadas, daí a aposta no registo, classificação e promoção de locais como o Pórtico das Deportações, em Inhambane; Rampa de escravos Mossuril; ou Jardins de Memória, uma iniciativa com as Ilhas Reunião.

“Mesmo não tendo meios, nós temos que saber o que temos”, diz Macamo, que recentemente participou num intercâmbio nos Estados Unidos.

Não ter dinheiro para tanto abre espaço para uma reflexão para se encontrar formas de tornar a cultura sustentável.

“A frustração não é tanta (…) abre caminho para o desafio de o ministério da cultura e turismo ser produtivo e não de mão estendida. Mas temos de trabalhar muito, diz.

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