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Trauma Queniano


Mary Italo, ao centro, lamenta junto de outros familiares a morte de seu filho Thomas Abayo Italo, 33, morto no ataque ao shopping Westgate, enquanto esperam pelo seu corpo em um mortuário em Nairobi, Quénia.

Mary Italo, ao centro, lamenta junto de outros familiares a morte de seu filho Thomas Abayo Italo, 33, morto no ataque ao shopping Westgate, enquanto esperam pelo seu corpo em um mortuário em Nairobi, Quénia.

Mesmo com o fim do cerco do shopping Westgate, que durou 4 dias, o país continua a sofrer.

Quénia declarou 3 dias de luto pelas vítimas do ataque terrorista em um shopping center na capital, Nairobi. Contudo, pode demorar muito mais para que as feridas emocionais do país curem.

Ao longo de quatro dias, forças Quenianas confrontaram terroristas do grupo El-Shabaab, que transformaram um luxuoso shopping center em um cenário de terror. Eles atiraram indiscriminadamente, matando mais de 60 pessoas, entre elas crianças, e feriram cerca de 200 outras. Muitas mais ainda estão desaparecidas. Os tiros cessaram, mas para algumas vítimas o trauma continua. Charles Oswago, um mecânico em Nairobi, estava dentro do shopping naquele dia, comprando uma nova linha para o seu telefone celular. Encurralado em um supermercado, o terrorista mandou que deitasse no chão. Por pouco, ele escapou com vida.

“Nós rastejamos para escondermo-nos, mas eles atiraram contra mim, e a bala passou perto.”

Oswago disse que, desde o acontecimento, ele não tem sido o mesmo.

“Desde então eu fiquei traumatizado, vivendo com medo, e eu não entendo porquê, mas não tenho opção a não ser vir ao trabalho.”

Após o cerco, o Presidente do Quénia Uhuru Kenyatta afirmou que o país estava “ensanguentado mas não abatido” pelos eventos. Mas na mente de algumas testemunhas, o cerco perdura. Loi Awatt estava trancafiada em um banco de Westgate por 4 horas enquanto os atiradores massacravam pessoas do lado de fora.

“É um desses casos em que uma vez que você vivencia, não pode deixar de vivenciar. É uma dessas coisas que o sentimento de estar lá é tão significante, tão claro, que é impossível não sofrer mudanças, ou pensar diferente depois daquilo, depois de algo tão chocante.”

O sofrimento não é restrito às vítimas; soldados também são afectados pelas atrocidades que testemunharam. June Koinange, psicóloga voluntária da Cruz Vermelha, sediada em um centro comunitário a cerca de 300 metros do local do atentado, trabalha com soldados que recentemente batalharam os terroristas dentro do shopping Westgate:

“Eles presenciaram coisas, eles estavam dentro do shopping Westgate, eles sabem coisas. Sim, eles estavam muito gratos por haver um time de psicossociólogos para tratar do bem estar deles.”

A Cruz Vermelha afirma que muitos dos sobreviventes experienciam sentimentos de ansiedade, culpa e desespero. E a incerteza ainda é um peso para as famílias dos que continuam desaparecidos.
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