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Alerta máximo para tráfico de crianças em Manica

  • André Baptista

Francisco de Almeida, Chefe da PRM em Manica

Francisco de Almeida, Chefe da PRM em Manica

Autoridades resgatam em média 20 crianças por ano.

O Governo da província de Manica, em Moçambique, anunciou nesta quinta-feria, 3, que resgata por ano uma média de 20 crianças na rota de tráfico, a maioria a caminho da África do Sul, onde “são vendidas para o trabalho infantil”. As autoridades admitem que várias escapam ao controlo.

“Ao longo do último fim-de-semana finda recebemos seis crianças”, precisou Marcelo Dias, director do Instituto Nacional de Acção Social (INAS), referindo que as crianças resgatadas são levadas ao infantário provincial, de onde são redistribuídas aos distritos de origem para reunificação com as famílias.

A maioria das crianças, com idades entre 8 e 15 anos, são recuperadas em camiões ou violando a fronteira, após serem aliciadas ou entregues aos traficantes por familiares nos distritos de Mossurize e Machaze (sul de Manica), tradicionais provedores de mineiros para África do Sul.

Aquele responsável adiantou que o problema está associado a questões culturais locais, pela fama que as famílias procuram por ter filho trabalhando no estrangeiro, uma situação que preocupa as autoridades da província.

O responsável assegurou que os serviços do INAS estão atentos ao tráfico, “embora não seja a sua vocação, mas o infantário provincial de Manica tem recebido crianças a caminho de tráfico”, e acrescentou que os serviços estão a trabalhar conjuntamente com as autoridades policiais e de migração para travar o problema.

Em 2013, a Procuradoria Provincial de Manica associou a intensificação de implantação de seitas religiosas e centros de acolhimentos e orfanatos com o aumento de casos de tráfico, sobretudo de crianças, na região, após ter activado em 2012 um "alerta vermelho" que vigora até agora.

Um programa da organização internacional Save The Children, que financia a iniciativa do tribunal local na retirada de 100 crianças de centros infantis sem condições mínimas, está a sensibilizar as comunidades para cuidados de menores e os perigos de tráfico na cidade de Chimoio e nos distritos de Macossa, Báruè e Sussundenga, nas zonas centro e norte de Manica.

Por outro lado, Marcelo Dias disse que, de Janeiro a Julho, pelo menos 12 idosos tiveram passagem pelo infantário provincial de Manica, despojados da África do Sul e Zimbabué, onde passaram quase toda a vida.

Elas foram reencaminhadas para as províncias de Nampula e Zambézia, além do distrito de Manica.

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