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Trabalhadores funerários com dificuldades para encontrar emprego depois da Ébola

  • Redacção VOA

Trabalhadores funerários durante o pico da Ébola, na Libéria (Foto: AP)

Trabalhadores funerários durante o pico da Ébola, na Libéria (Foto: AP)

Depois do trabalho arriscado, são vítimas de estigma social

Em Maio, a Organização Mundial da Saúde declarou a Libéria livre da Ébola, mas os trabalhadores funerários enfrentam outro problema: O estigma social bloqueia oportunidades de emprego.

“Não consigo encontrar trabalho, não posso voltar a cultivar. As pessoas tomaram a minha machamba, as pessoas têm medo, acham que poderei transmitir Ébola,” desabafa Emannuel Johnson, que largou a sua plantação de batata para enterrar as vítimas da Ébola, uma tarefa muito arriscada.

No pico da crise da Ébola, na Libéria, as equipas que realizaram os enterros tiveram uma das tarefas mais difíceis. Mais de 4,800 pessoas viriam a perder a vida vítimas desta doença naquele país.

Johnson e outros que ajudaram nos funerais das vítimas da Ébola não tiveram vida fácil. Ébola é transmitido através do contacto com fluidos das pessoas infectadas. Realizar funerais seguros era fundamental para livrar o país da Ébola, tarefa arriscada porque os corpos das vítimas são altamente infecciosos.

Sonny Fayon era desempregado quando eclodiu a Ébola. Conseguiu emprego numa equipa que realiza funerais, mas agora está novamente desempregado. Não teve Ébola, mas ninguém quer lhe dar trabalho.

Fayon explica que a sua equipa não era muito vulnerável ao vírus da Ébola. “Tínhamos uma boa protecção, eles deveria nos aceitar”.

Não ter emprego é muito complicado na Libéria, país que antes da eclosão da Ébola, em 2014, começava a recuperar de duas décadas de um conflito armado. Cerca de dois terços da população vive na pobreza, segundo o Banco Mundial.

Durante a crise, a Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente vermelho contratou cerca de 140 trabalhadores funerários. Ademola Alao, coordenador de programas, confirma que embora nenhum dos seus colaboradores tenha contraído Ébola, prevalece o estigma sobre eles.

A Federação contratou alguns para trabalharem como motoristas ou agentes comunitários.

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