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Tonito lança "Mafumeira" depois de longa ausência dos palcos

  • Pedro Dias

Tonito regressa com "Mafumeira"

Tonito regressa com "Mafumeira"

“Mafumeira” reúne canções dispersas, a maior parte das quais nunca registadas em disco.

O músico, compositor, letrista e cantor António Pascoal Fortunato “Tonito” regressa ao convívio musical com “Mafumeira”, seu primeiro CD, depois de um longo período ausente dos palcos. O disco foi lançado no passado 29 de Março na Praça da independência, em Luanda.

A grande novidade deste disco, segundo Tonito, é naturalmente ter conseguido finalmente trazer a público o seu primeiro CD que retrata uma determinada linguagem artístico- musical resultante do cruzamento e articulação entre os elementos de expressão local e globalizada, tendo como objectivo a valorização das manifestações musicais populares e tradicionais angolanas.

Indagado igualmente quanto à atribuição da designação Mafumeira à obra, referiu que deve-se ao seu simbolismo com o apelo à protecção do meio ambiente! Mafumeira é uma espécie vegetal que vai desaparecendo do espaço ecológico luandense.

Ao justificar a sua ausência dos palcos, Tonito adiantou que deveu-se a situações que têm a ver com o facto de que antes, depois e durante os 40 anos de independência, ter sido sempre um cidadão de baixa renda que viveu e vive de salários magros e de uma reforma miserável. Tal facto, segundo o músico, não viabilizou a produção de discos que o colocassem na ordem do dia, na agenda cultural nacional ou ainda no roteiro programático das actividades musicais de Angola: “é como se fosse um cidadão excluído da possibilidade de ter o seu próprio sustento, sem nada e sem ninguém que lhe pudesse valer!…”

O disco contém 11 faixas musicais, retrata uma determinada linguagem artístico-musical resultante do cruzamento e articulação entre os elementos de expressão local e a globalizada, centrado na valorização das manifestações populares e tradicionais do país.

Para além de constituir um espaço de reafirmação de Tonito, enquanto cantor e compositor, “Mafumeira” reúne canções dispersas, a maior parte das quais nunca registadas em disco.

Neste sentido, o CD é também uma referência arquivística de uma parte substancial do conjunto da sua obra. Com “Mafumeira”, Tonito quebrou 39 anos de silêncio discográfico e revisita as canções: “Caminho do mato”, texto do poeta Agostinho Neto, “Tuila mu ulungu”, “MonamiXiku”, “Palamé”, Canto evocativo, “Kiukitukila”, Mariazinha, “Mu undengueuami”, “Malalanza”, “Menino Triste”, texto de Jofre Rocha, e “Kuricuté”, canção interpretada por Sara Chaves, dedicada à sua esposa, Mariana.

Gravado em Luanda, Paris e Portugal, “Mafumeira” teve a produção executiva da “Kissanji produções, limitada”, e a produção musical coube ao carismático guitarrista, SimmonsMassini, um dos instrumentistas responsável pelo estabelecimento da ponte entre a tradição e a renovação estética da Música Popular Angolana.

Tido como um compositor de cariz antológica, Tonito Fortunato faz parte da plêiade de músicos angolanos que conceptualmente construíram a visão da música angolana moderna. É várias vezes referenciado por aqueles que partilharam momentos da sua carreira musical, como “um dos mais inspirados compositores angolanos de sempre”, pelo alcance metafórico e pela grandeza melódica das canções que criou, algumas das quais constituem clássicos do cancioneiro angolano.

Canções da sua autoria foram interpretadas por Eleutério Sanches (“Monangambé”), Trio Melodia (“Maria Sessá”) Sara Chaves (“Kurikutê”) Rui Mingas (“Marimbondo e “Um UndengueUami”), Belita Palma (“MonamiXico” e “Caminho do Mato”), Carlitos Vieira Dias (“Nzala”), Dionísio Rocha (“Palamé), e ainda por Bonga, Martinho da Vila, Dódó Miranda, MB Genius, Té Macedo, Carlos Lopes, J. Lourenzo, entre outros.


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