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Guerra ao terrorismo é um falhanço por não considerar os problemas locais - diz acadêmico muçulmano

  • Scott Stearns

Akbar Ahmed examina as lutas contra o terrorismo nas maiores zonas de conflito da actualidade e diz que a comunidade internacional está votada ao insucesso nos seus esforços de pacificação

Um proeminente académico muçulmano disse que a guerra contra o terrorismo tem-se baseado imenso em extremistas violentos e não o suficiente em problemas da fraqueza que fragiliza os governos em atender as necessidades das populações rurais.

O correspondente da Voz da América no Departamento do Estado, Scott Stearns reportou sobre o novo e provocante estudo que evoca as causas do extremismo no Paquistão, nas Filipinas, no Mali e na Nigéria.

As tropas francesas que lutam contra os terroristas afiliados a al-Qaida no Mali, ajudaram a restaurar a ordem em áreas controladas pela rebelião tuaregue. Mas os líderes locais, como Moussa Ag Oumeytta, disse que resolver a actual crise significa melhorar a qualidade de vida nas zonas rurais.

“O que trouxe todos esses problemas é a pobreza e a falta de desenvolvimento no norte.”

Este é um desafio no momento, e que a comunidade internacional enfrenta como novas ameaças em África, disse o presidente francês, François Hollande.

“Na instabilidade no Sahel, há um risco que todos os conflitos por resolver venham a alimentar o terrorismo. Precisamos de trabalhar mais urgentemente para acabar com o sofrimento da população que dura cerca de 30 anos.”

No seu livro The Thistle And The Drone - O Cardo e o Drone - amplamente debatido, o académico muçulmano Akbar Ahmed examina as lutas contra o terrorismo do Afeganistão e Paquistão até ao Iémen e a Somália, e do sul das Filipinas até ao Mali e a Nigéria.

“Todas elas reflectem grandes grupos tribais com problemas com o governo central. Todas elas reflectem áreas onde existem sérios problemas económicos em termos de recursos naturais. E todas elas sugerem que ainda estamos a fazer uma leitura errada das relações que têm com o islão.”

Na Nigéria por exemplo, na luta contra os militantes da Boko Haram, diz Akbar Ahmed, o governo está concentrar-se no fundamentalismo islâmico para distrair a atenção do falhanço do seu programa de desenvolvimento.

“Pondo isso em perspectiva diferente, o governo central é capaz então de se proceder como nos Estados Unidos e na Europa com consequências que apontam para a jihad, uma forma de cruzadas, um tipo de confrontação entre o Ocidente – a cristandade – e o islão.”

Ahamed adianta que muitas vezes os governos centrais elegem como inimigos todo um grupo étnico, ou grupos étnicos, e que as vezes pelo simples facto de 100 ou 500 ou ainda 5mil indivíduos estarem criminalmente identificados com um determinado grupo faz com que toda uma tribo de 10 a 15 milhões de pessoas acaba por ser incluída numa única categoria. Por isso e no seu entender, considera ser um desastre, e as vezes a escala de uma nação.

“No momento que tudo parece estar a se acalmar no Afeganistão, e quando no Paquistão há sinais de avanço no caminho da democracia com eleições previstas, temos agora os Estados Unidos e a Europa a serem arrastados para uma nova guerra contra o terror. E todo esse ciclo completo parece estar a começar de novo no Sahel.”

O académico muçulmano entende que a guerra contra o terrorismo deve ser repensada, e afirma que se os problemas estão ligados as culturas, códigos e costumes tribais, as soluções terão que ter necessariamente em conta esses factores, e não a religião com base nos versículos do alcorão.

Akbar Ahmed recomenda esforços para resolver as tensões entre governos centrais fracos nas antigas colónias e com os grupos étnicos minoritários que vivem na periferia dos centros do poder.
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