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Tensão política em Moçambique

  • Redacção VOA
  • Ramos Miguel

Maputo

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Analistas debatem pedido do PR de que as Forças Armadas estejam de prontidão.

Em Moçambique, a temperatura política continua alta.

Hoje, 26, o presidente da Frelimo e antigo Chefe de Estado Armando Guebuza disse na abertura da reunião do Comité Central do partido no poder que os seus adversários querem acabar com a Frelimo.

Ontem, foi o presidente da Renamo quem reiterou que a criação de regiões autónomas não tem retorno, mesmo que a sua proposta não seja aprovada pelo parlamento.

Dhlakama fez estas declarações depois de ter comentado e condenado os confrontos que envolveram os seus apoiantes e a Polícia moçambicana em Chimoio e que deixaram cinco feridos e 17 pessoas com problemas respiratórios.

Para o líder da Renamo foi uma "brincadeira desagradável" a proibição do comício do maior partido da oposição e “uma provocação.

Entretanto, o momento em que aumenta atenção entre o Governo e a Renamo, com o líder da oposição Afonso Dhlakama a dizer que não há volta atrás na sua proposta de ciração de regiões autónomas, questiona-se se o apelo do Presidente da República Filipe Nyussi às Forças Armadas para elevarem a sua prontidão combativa significa que a pretensão da Renamo possa ser uma ameaça à paz, uma vez que o país não corre o risco de uma invasão estrangeira.

Num encontro que manteve, recentemente, com oficiais militares, Filipe Nyussi disse que as Forças Armadas devem estar à altura de responder àqueles que pretendem promover mudanças inconstitucionais no país.

O jornal Catembe, num artigo assinado por José Alves, diz que esta é uma clara referencia à Renamo e ao seu líder, que pretendem autonomizar algumas províncias do centro e norte do país e ameaçam governá-las à força, caso o seu projecto seja chumbado no Parlamento.

Entretanto, o jurista Filimao Swázi, membro do Conselho Superior da Magistratura Judicial, diz que Nyussi falou na sua qualidade de comandante em chefe das Forças Armadas e o seu discurso não tem nenhuma relação com as pretensões da Renamo.

De acordo com o jurista, quando o Presidente da República vista o Estado Maior General das Forças Armadas de e diz que estas têm que estar em prontidão combativa, "é que as forças têm que estar em prontidão combativa em todo o mundo".

Swázi referiu que até no Vaticano, esse Estado que quase se confunde com a própria Igreja Católica, o exército que está lá, "está sempre em prontidão combativa e se não estivesse em prontidão combativa, de nada valeria a sua existência".

Na sua opinião, se o exército tiver que existir e não for capaz de estar atento e preparado para qualquer situação de invasão do território ou uma questão de violação de uma série de pressupostos da nossa coexistência como Estado, "então não vale a pena termos as Forças Armadas ".

O analista Tomás Rondinho acha que mesmo que a Renamo não seja capaz de governar nas províncias onde reclama vitória eleitoral, é preciso privilegiar o diálogo como forma de resolver a tensão política que se vive no país.

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