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O tema raça volta a colocar-se na África do Sul na altura em que o país se prepara para eleições no próximo ano.

Um partido político novo atacou verbalmente a população branca minoritária que beneficiou sob o regime de segregação racial.

Ao mesmo tempo, um pequeno grupo de sul-africanos indicava que o seu grupo étnico está a ser ameaçado com o genocídio.

Isto leva a que os analistas considerem que estes sentimentos rácicos não são produtivos e se encontram fora da realidade com a Africa do Sul de hoje em dia.


Há cerca de vinte anos atras, o primeiro presidente negro sul-africano Nelson Mandela descrevia o seu país como sendo um arco-íris em paz consigo próprio.

A presidência de Mandela pôs termo ao sistema de segregação racial no qual os não brancos eram oprimidos e tratados como inferiores aos brancos Sul-africanos.

Todavia, o legado do racismo continua a ser uma realidade na África do Sul de hoje em dia. E dois movimentos políticos utilizaram recentemente o factor raça quando se preparam para o sufrágio de 2014.

No inicio de Outubro, um grupo de Sul-Africanos brancos realizou um protesto contra o que denominou como de genocídios contra a minoria branca Sul-Africana. O grupo Outubro Vermelho sustentou que os brancos Sul-Africanos não se sentem seguros por estarem a ser objecto, e a serem mortos nas suas unidades agrícolas e residências no país.

O grupo avalia que pelo menos três mil brancos Sul-Africanos foram mortos na última década, e particular no decurso de incidentes relacionados com roubos que o grupo considera como sendo crimes de ódio.

Aquele numero não se reflecte com as estatísticas de crime, já que, e apenas no ultimo ano, a policia Sul-Africana registou mais de 16 mil e 200 assassinatos.

Um novo partido político está a usar o factor raça como bandeira. O recém-formado Partido dos Lutadores da Liberdade Económica, chefiado pelo expulso presidente da Liga Juvenil do Congresso Nacional Africano, Julius Malema, acusa os brancos Sul-Africanos de contribuírem para os índices de criminalidade ao recusarem partilhar as riquezas do país com a maioria negra pobre.

Malema tem alertado os brancos Sul-Africanos que obtiveram terras durante o período colonial, para as devolverem aos negros, ou não pensarem em reconciliação.

“Não têm vergonha de terem roubado as nossas terras, as terras dos nossos antepassados, afirmou Malema.”

Os apoiantes de Malema parecem ter abraçado a mensagem indo mais longe. Um cartaz utilizado no Comício de lançamento partidário destacava que tinha acabado a lua-de-mel para os brancos. Um outro cartaz sustentava que para se ser revolucionário tem de se ser inspirado pelo ódio e pelo sangue.

Helen Zille, a dirigente do principal partido da oposição Sul-Africana – a Aliança Democrática – afirma não estar impressionada pela linguagem racial.

Anthea Jeffrey, do Instituto Sul-Africano de Relações Raciais sublinha que embora as tensões raciais ainda existam, o relacionamento melhorou nos últimos anos.

Jeffrey sustenta existir ainda um grande índice de desigualdade racial, e a sensação de sendo negro corre-se o risco de não ter emprego e ser pobre.

Segundo ela as dificuldades económicas afectam toda a gente e fazer bode expiatório do factor racial é um caminho fácil de seguir.

Ainda segundo Anthea Jeffrey a questão básica é a desigualdade económica e o governo necessita de fazer mais para evitar que as tensões aumentem.

Jeffrey e o Instituto para as Relações Raciais indicam que as pesquizas sugerem que os pontos de vista do Outubro Vermelho e do Partido dos Lutadores da Liberdade Económica representam extremos da arena politica e o cartão racial não deverá encontrar eco na maioria dos Sul-Africanos quando, no próximo ano, forem votar.

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