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"Solução para a crise na Guiné-Bissau passa por diálogo e compromisso", diz Ramos Horta

  • Alvaro Ludgero Andrade

José Ramos Horta, Prémio Nobel da Paz

José Ramos Horta, Prémio Nobel da Paz

Antigo representante especial do SG da ONU aponta saída política.

Ainda antes de conhecer a decisão do Presidente José Mário Vaz de demitir o Governo, nesta quinta-feira, 12, o antigo representante especial do secretário-geral das Nações Unidas, José Ramos Horta, apontava como uma das saídas para a crise actual um encontro, não formal, entre todos os protagonistas da situação.

Em conversa com a VOA, a partir de Nova Iorque, o também Nobel da Paz considera que “os encontros formais, como os protagonizados pelo Presidente da República, talvez não fossem a melhor forma de conseguir um compromisso”.

“A ideia de um retiro, e pode haver outras soluções, é para que todos os intervenientes tenham tempo, durante três dias, cinco dias ou uma semana para, sem pressão, dialogarem entre si, em pequenos grupos, até encontrarem uma solução porque a Guiné-Bissau necessita de um forte compromisso”, explicou Ramos Horta que reconhece que os guineenses precisam urgentemente de estabilidade política.

Instado se à luz da legislação do país há uma saída para a crise actual, Ramos Horta considerou que tudo é política e que sempre há uma solução, num quadro legal existente ou por criar.

“Sem violar a Constituição do país, é sempre possível encontrar uma saída, sabendo que as leis são criadas num determinado contexto e assim como são feitas também podem ser alteradas num determinado momento, como agora”, explica o antigo Presidente de Timor Leste que insiste “na necessidade de compromissos”.

O representante especial do secretário-geral das Nações Unidas para a Guiné-Bissau adverte ainda que “o país não pode perder mais tempo sob pena de ver reduzida o apoio da comunidade internacional que tem outras demandas”.

Apontado como um possível mediador para a crise na Guiné-Bissau, Ramos Horta descartou tal possibilidade “por respeito a todos os envolvidos presentes, que estão a fazer um bom trabalho”.

A demissão

No decreto do Presidente guineense, José Mário Vaz diz que o Governo não dispõe de apoio maioritário no parlamento, e espera que o PAIGC, vencedor das eleições de 2014, proponha um novo executivo capaz de reunir os deputados em torno de "compromissos políticos" que garantam a estabilidade até ao final da legislatura.

O chefe de Estado guineense acusa ainda o Governo de obstruir, "de forma reiterada e censurável, o cumprimento de decisões judiciais", bem como a acção do Ministério Público.

O decreto de José Mário Vaz foi publicado horas depois de ter apresentado uma mensagem à Nação, na qual justifica a posição que viria a tomar mais tarde.

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