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Sociedade civil critica escolha de Robert Mugabe para presidir a SADC

  • Redacção VOA

Líderes civis e analistas consideram que Mugabe não irá defender os direitos humanos nem promover a boa governação da África Austral.

A recente eleição do presidente do Zimbábue Robert Mugabe para presidir a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) levantou questões sobre o compromisso da organização regional com os princípios democráticos e a emancipação económica da região.

Os 34 anos de Mugabe no poder no Zimbabwe são marcados por abusos dos direitos humanos, violência política patrocinada pelo Estado e uma economia em ruínas. Líderes da sociedade civil do Zimbabwe têm-se manifestado contra a presença de Mugabe na liderança da SADC.

Em conferência de imprensa hoje, 3, em Joanesburgo, representantes de grupos da sociedade civil reunidos na denominada Coligação Zimbabueiana, advertiram para o facto de a presidência de Robert Mugabe ir fechar os olhos aos abusos de direitos humanos e promover políticas económicas nefastas como as que estão em curso no seu país.

Aqueles líderes acusam o governo de Mugabe de patrocinar invasões de terras ilegais, perseguir jornalistas e activistas da oposição e permitir a queda livre da economia de seu país.

Dewa Mavhinga, presidente da Coligação Zimbabueiana pediu à SADC para assegurar que Mugabe não irá incentivar o declínio da democracia na região.

"Com país que tem o seu próprio quinhão de desafios sobre direitos humanos, Zimbabwe não é o melhor para liderar, porque não tem moral dentro da SADC, para advertir, por exemplo, a Suazilândia, o Lesotho ou os demais países. Então, este é o desafio que temos, sob Mugabe até agosto de 2015: não temos moral, como SADC, para defender o respeito pelos direitos humanos", disse Mavhinga.

Na Suazilândia, a actividade política é criminalizada e o único partido da oposição, Movimento Democrático Unido do Povo, foi considerado uma organização terrorista. O presidente daquele partido Mario Masuku foi preso juntamente com outros por exigir democracia, num país enraizado na monarquia absoluta.

O activista da Suazilândia que agora vive exilado na África do Sul Bheki Dlamini diz não acreditar que Mugabe possa enfrentar o rei e questioná-lo sobre os abusos porque ele também os tem no seu quintal: "Com Mugabe como presidente agora, não esperamos qualquer mudança dramática em termos de respeito pelos direitos humanos na região, por isso acreditamos que somos nós mesmos que temos de lutar pelos nossos países.

O analista político independente Philani Zamchiya é de opinião que a recente tentativa de golpe de Estado no Lesoto poderia ter sido evitada se a SADC tivesse tomado medidas rápidas contra os membros que violaram os princípios da organização.

Alguns comentadores afirmam que a tentativa de golpe foi desencadeada pelo movimento do próprio primeiro-ministro Thomas Thabane para suspender o parlamento e, assim, evitar uma moção de censura que estava a ser movida pelos seus parceiros da coligação.

Zamchiya adverte que se a SADC continuar a permitir que os líderes minem as liberdades das pessoas, haverá mais problemas.

Aquele analista acredita haver ainda uma oportunidade para os líderes da região fazerem as coisas de forma correcta: Devem ser decididos, certificar que os processos democráticos são efectivamente democráticos e garantir a governabilidade dos eleitos.

Entretanto, conclui que, para tal, a SADC deve assegurar que os líderes da organização regional tenham legitimidade moral para defender e exigir a boa governação e o aprofundamento da democracia nos 15 estados-membros

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