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SIDA: Cabo Verde um caso de sucesso, Angola mantém "meta Zero"


O Instituto Nacional de Luta contra a SIDA em Angola nomeou a cantora Yola Semedo para embaixadora da luta contra a SIDA

Segundo dados da ONUSIDA, África reduziu em 41 por cento as novas infecções desde o ano 2000; e as mortes por causas relacionadas com a SIDA baixaram em 34 por cento, nos últimos 15 anos. Progresso também foi registado na prevenção da transmissão de HIV da mãe para o filho.

Embora o relatório mais recente da ONUSIDA revelar também que o número de novas infecções e mortes entre os adolescentes subiu e que a testagem de recém-nascidos é muito baixa, África é também o continente em que os dados indicam maiores avanços nos últimos anos, onde mais de 11 milhões de pessoas recebem tratamento anti-retroviral.

Quando falamos em casos de sucesso, Cabo Verde está no quadro dos países africanos que se pode orgulhar de conduzir programas com bons resultados, especialmente no que toca à transmissão do vírus por via vertical - de mãe para filho.

De acordo com o secretário executivo do Comité de Coordenação de Combate à SIDA (CCS-SIDA) em Cabo Verde, Artur Correia, o número de crianças que nascem seropositivas já atingiu os 15 por cento, mas actualmente varia entre zero a 3 por cento, sendo o objectivo eliminar a transmissão vertical.

Artur Correia destaca também que o facto de o programa ter tamanho sucesso incentiva igualmente as mulheres a engravidarem mais do que uma vez, sendo portadoras do vírus, o que não é necessariamente desejável, "porque aumenta o risco de transmissão" e o objectivo, reitera, é o de eliminar totalmente a transmissão de mãe para filho.

Cabo Verde realiza testes em cerca de 90% das grávidas e em 2014 registou 35 grávidas no seio das mulheres seropositivas, mas Artur Correia indicou que o número de grávidas seropositivas tem vindo a diminuir, na ordem os 0,6% a 0,8%.

A taxa de prevalência do VIH-SIDA em Cabo Verde é de 0,8%, com cerca de 2.300 casos conhecidos pelas autoridades sanitárias, sendo 1.300 em tratamento.

O tratamento para a prevenção de mãe para filho pode reduzir o risco de transmissão para 1 por cento, mas caso a grávida seropositiva não faça o tratamento, a probabilidade de transmissão varia entre 15 a 45 por cento.

Angola aposta na meta zero

O Instituto Nacional de Luta contra a SIDA (INLS) em Angola nomeou a cantora Yola Semedo para embaixadora da luta contra a SIDA e reforçou as suas actividades para garantir as metas estipuladas pela ONUSIDA até 2015: "Zero é a nossa Meta. Zero novas infecções, Zero Estigma e Discriminação e Zero mortes por SIDA".

Estima-se que Angola tenha cerca de 270 mil adultos e crianças a viver com o VIH, segundo dados do Spectrum, identificando 20 mil mais do que os dados do INLS. Dos 270 mil, aproximadamente 58% estão em acompanhamento nos serviços de saúde de todo o país. Até Setembro de 2014, foram criados 1.110 serviços de Aconselhamento e Testagem (AT), 540 serviços de Prevenção da Transmissão Vertical, 282 para acompanhamento de adultos e 169 para acompanhamento de crianças.

Os dados INLS revelam que das 250 mil pessoas que vivem em Angola infectadas com VIH/SIDA, cerca de 70 mil são tratadas actualmente com anti-retrovirais.

Ducelina Serrano defendeu que a tendência actual é de "redução da ocorrência de novas infecções", fixando-se as preocupações angolanas sobretudo em províncias de fronteira com países problemáticos, como é o caso do Cuando Cubango (Zâmbia) e do Cunene (Namíbia).

"Luanda, pelas suas especificidades, também é uma província de cuidado, onde o número de pessoas infetadas, comparativamente com as demais províncias, é maior", admitiu. Anualmente são registadas entre 1.500 a 2.000 mortes por infeções de VIH.

De acordo com os dados referenciados a 1 de Dezembro de 2015, o total de serviços de AT em Angola passou de oito unidades em 2003 para 811 em 2011.

Entre 2004 e 2012 realizaram-se 1.118.392 testes em mulheres grávidas, das quais 27.222 resultaram positivas com VIH.

O Ministério da Saúde de Angola prevê aumentar nos próximos três anos para 1.594 os serviços de AT distribuídos pelo país, número que até 2021 deverá ascender a 2.120.

Para o período entre 2017 e 2021 foi fixada a meta de reduzir para 85 a 95% a taxa de transmissão de VIH de mãe para filho, mas também de fornecer tratamento com anti-retrovirais a entre 80 a 90% das pessoas com VIH elegíveis.

Até ao final do ano corrente está prevista a distribuição anual de 80 milhões de preservativos a pessoas com mais de 15 anos.

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