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Sem paz, Moçambique assinala Dia da Paz e Reconciliação Nacional

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Marcha pela paz em Maputo, Sábado 27 de Agosto. Foto gentilmente cedida por Eliana Silva. Moçambique

Marcha pela paz em Maputo, Sábado 27 de Agosto. Foto gentilmente cedida por Eliana Silva. Moçambique

A incapacidade do Estado na provisão de serviços básicos defraudou os moçambicanos, diz o historiador Egídio Vaz.

Moçambique celebra neste 4 de Outubro o Dia da Paz e Reconciliação Nacional, o que muitos dizem ser um paradoxo, uma vez que o país está novamente em conflito.

O Acordo Geral de Paz foi assinado em Roma, Itália, no dia 4 de Outubro de 1992, após 16 anos de uma sangrenta guerra civil.

O governo de Moçambique, sob liderança de Joaquim Chissano, e a Resistência Nacional de Moçambique (Renamo), de Afonso Dhlakama, acordaram entre outros o cessar-fogo, acantonamento, desmilitarização da Renamo, eleições gerais e multipartidárias.

Após duas décadas de paz, Moçambique vive nos últimos anos momentos de instabilidade.

Para o historiador moçambicano Egídio Vaz as falhas na implementação do acordo contribuíram para a mudança do cenário.

Tal inclui a não desmilitarização da Renamo e continuidade do domínio total dos militantes da Frelimo, partido no poder, no acesso à oportunidades em várias áreas sociais e económicas.

Egídio Vaz, historiador moçambicano

Egídio Vaz, historiador moçambicano

Vaz diz que a “teoria geral era que os homens armados da Renamo iriam desaparecer com a idade”, mas em termos sociológicos “a questão principal não eram os homens, mas as causas”.

Citando o Professor João Pereira, Vaz diz que “existe uma Renamo social,” através da qual as pessoas contestam a incapacidade do “Estado em prover serviços e cumprir com a sua missão unificadora e inclusiva no processo de desenvolvimento”.

Com a falha na realização da inclusão, “as pessoas têm em Afonso Dhlakama, sua militância e militarismo como únicos exemplos de sucesso para resolver os problemas básicos”.

Nos últimos meses, o Governo e a Renamo têm estado em negociações de paz, mas o cessar-fogo é condicionado, entre outros, à exigência da Renamo em nomear governadores nas seis províncias que reivindica vitória nas eleições presidências de 2014.

“Faço votos que assim que conseguirem essas cedências, o povo moçambicano não esmoreça por causa da trégua”, diz Vaz.

Para ele, “é preciso completar o processo de reforma do Estado para que a democracia de facto seja participativa e mediante a vontade popular”.

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