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Segredos sobre a independência de Angola revelados em livro


Vice-presidente angolano, Manuel Vicente, ao centro, nas comemorações do Dia da Independência, no Namibe, a 11 de Novembro de 2012 (VOA / Armando Chicoca)

Vice-presidente angolano, Manuel Vicente, ao centro, nas comemorações do Dia da Independência, no Namibe, a 11 de Novembro de 2012 (VOA / Armando Chicoca)

O autor é João Rosa Lã, diplomata português, que lançou esta Quinta-feira "Do Outro lado das Coisas - (In)Confidências Diplomáticas" - um livro sobre o plano de Marcello Caetano para a independência de Angola.

Segundo o jornal Expresso, em "Do Outro lado das Coisas - (In)Confidências Diplomáticas" o Embaixador Rosa Lã relata um curioso plano alegadamente gizado por Marcello Caetano para a independência de Angola.

No final da década de 1970 João Rosa Lã foi colocado como encarregado de negócios na Embaixada de Portugal em Caracas, onde encontrou "um grupo importante de cidadãos portugueses que procurou refazer a sua vida na Venezuela, depois do 25 de Abril". Fenando Santos e Castro, último homem nomeado pelo Estado Novo para o cargo de Governador-Geral de Angola foi um desses portugueses com quem Rosa Lã se cruzou na capital venezuelana.

Nas suas memórias escreve que o reencontro com Santos e Castro foi "o facto mais relevante" de toda a sua permanência em Caracas, apesar de esta circunstância nada ter a ver com a actividade diplomática pura e dura. No entanto, a diplomacia é também a arte da escuta e foi esse engenho do saber ouvir que permitiu cimentar a amizade entre estes dois homens de gerações diferentes e relações supostamente diferentes com o Portugal democrático, escreve o Expresso.

Nas conversas semanais que teve com Rosa Lã, Santos e Castro confidenciou-lhe alguns dos segredos que guardava, quer sobre a sua governação em Angola, quer sobre as suas relações com Marcello Caetano. Santos e Castro contou ao diplomata a sua versão do que se passara em Angola nos primeiros dias do ano de 1974. Entre as confidências, a ideia de Caetano ter pensado em passar o poder a Jonas Malheiro Savimbi.

Ainda segundo o mesmo artigo do Expresso, que faz uma abordagem geral ao livro, Marcello Caetano e Santos e Castro terão tido uma reunião secreta em que o Presidente do Conselho traçara um cenário negro do país e da situação no ultramar, mas que "felizmente, a situação em Angola era diferente, com o MPLA quase aniquilado militarmente, a UNITA controlada e as finanças sólidas devido ao aumento do preço do petróleo". Marcello confessou já não dispor de "qualquer capacidade de manobra para alterar a situação nas províncias ultramarinas, sobretudo a dos portugueses que lá viviam. Havia, no entanto, que tentar salvar o que fosse possível".

As memórias relatadas pelo Embaixador Rosa Lã revelam que a vontade de Caetano residia num "Estado soberano, multiracial e multicultural, com o concurso de todas as forças que aceitassem a declaração de independência. Santos e Castro ficaria interinamente à frente do novo País, com um governo presidido por uma personalidade negra, muito provavelmente Jonas Savimbi, se este aceitasse, mantendo-se todos os funcionários da administração da província que desejassem ficar. O mesmo aconteceria às tropas da metrópole destacadas no território. O governo português não aceitaria, pelo menos de imediato, nem reconheceria a Declaração de Independência e retiraria todas as suas forças do terreno, mas não retaliaria contra os militares que quisessem integrar o novo exército angolano".

O livro de 600 páginas e 17 capítulos não se foca especialmente nestas revelações, mas também na experiência de 42 anos de vida diplomática de João Rosa Lã.

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