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Seca provoca fome na Huíla

  • Teodoro Albano

Governo provincial reconhece situação difícil.

Nos últimos sete meses 33 crianças com menos de cinco anos de idade morreram por má nutrição na Huíla, revelam dados oficiais.

A revelação acontece numa altura em que a fome continua a se fazer sentir em alguns municípios da província da Huíla.

Com efeito, os períodos de seca que vêm marcando os últimos três anos a região reflectem-se de forma drástica em algumas localidades.

O exemplo mais recente é a zona da Mahova, no leste do município dos Gambos, onde as populações por causa da fome deixaram de assistir às aulas de alfabetização em busca de melhores condições noutras paragens, segundo o professor, Pedro Manuel.

“A seca está mesmo dura, as pessoas saem todas para trabalhar no trasporte de pedra, eu vou dar aulas mas estou a perder tempo", lamentou.

Na província da Huíla perto de 300 mil pessoas foram atingidas pela seca, sobretudo nos municípios dos Gambos, Quipungo, Cacula e Quilengues.

As autoridades locais admitem dificuldades em assistir as famílias carentes, situação agravada pela actual crise financeira.

“Em 2015 este número terá aumentado, ainda não temos os números apurados, entretanto há uma dificuldade gritante em acudir a essas populações dada à crise económica”, disse o porta-voz do Governo da Huíla, Calândua Lombe.

Um novo levantamento sobre o efeito da seca sobre as populações está a ser feito por uma comissão multi-sectorial do Governo central.

Entretanto, de passagem pela Huíla, o lioder da Casa-CE Abel Chivukuvuku, criticou a abordagem do Governo em relação à crise de água nas províncias do sul de Angola.

O líder da CASA-CE entende que a situação das províncias da Huíla, Namibe e Cunene devia exigir mais ambição do poder central.

“ Essas três províncias mereceriam uma atenção especial e nós tínhamos que ter ambição é desviar rios. Hoje no mundo não podemos depender só da natureza, temos de depender da nossa criatividade, da nossa capacidade de imaginação e da nossa vontade de cuidarmos do nosso povo”, disse.

A seca atinge os 14 municípios da província da Huíla, com maior incidência para as circunscrições do sul e do leste.

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