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Se voltasse a escrever ao PR a «Karta seria mais pesada, mas sem palavrões», Pipokahz Tribo SUL


Tribo SUL

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Uma carta polémica, um desabafo não pensado dirigido ao Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos, em Janeiro de 2005, trouxe a Pipokahz, dos Tribo SUL, o destaque internacional que não esperava, mas também muitos dissabores na sua vida pessoal e profissional.

Numa conversa sobre a carreira e o estado do Hip Hop Underground em Angola, Osvaldo, mais conhecido por Pipokahz explicou como tudo começou e garante que o pensamento interventivo tem vindo a crescer.


A música que surgiu da inspiração do momento no estúdio de um amigo em Luanda, o DH (rapper e produtor), foi um “desabafo”, comenta Pipokahz, ciente de que usou uma linguagem forte, com palavrões que hoje não usaria, embora voltasse a ter a “ousadia” de escrever ao Presidente da república novamente.

“Naquela altura não tínhamos o conhecimento que temos hoje ao nível da literatura poética. Se voltasse a escrever ao PR provavelmente a «Karta Ritimika» seria mais pesada mas não com tantos palavrões”, refere.

Sem grandes hesitações, o jovem estudante de administração e funcionário público, vai revelando os planos do grupo, que imbuído no espírito de missão, planeia “enviar” mais cartas ao Executivo para lembrar que “o importante é resolver os problemas do povo”.

As pessoas ouvem a nossa música

A «Karta» deu origem à «Resposta», escrita também por Pipokahz, letra na qual os Tribo SUL respondem a si mesmos na pele de José Eduardo dos Santos. Muito embora a repercussão da «Karta Ritimika - Versão Original» tenha trazido “grandes dissabores” resultando na detenção de Pipokahz na Direcção Nacional de Investigação Criminal (DNIC), a «Karta Ritimika – Resposta» já não “pesou” tanto.

“Depois da primeira conheci muita gente”, conta Pipokahz, justificando por isso a razoável aceitação. “Houve reacções de todo o tipo com a resposta, uns incentivaram, outros deram puxão de orelha, mas todos ouviram. A nossa maior satisfação é que as pessoas ouvem a nossa música, ouvem o que temos a dizer e já vamos sendo aconselhados”, continua.

Segundo Pipokahz, grupos de Hip Hop como os Tribo SUL nascem a cada dia, a mensagem que passam tem efeito na sociedade mas também existem momentos “bíblicos”, “como estar rodeado de milhares, mas quando a situação aperta negam-nos, como Pedro fez, e ficamos isolados”, desabafa.

Falsas promessas atrasam «Tribosulandu»

Os Tribo SUL têm o seu próximo disco no forno há cerca de dois anos. Já foram feitas várias promessas de investimento, mas determinadas situações fizeram o grupo recuar, não sendo por isso certa uma data de lançamento do novo projecto «Tribosulandu».

“Entre muitas outras coisas, já vimos vários artistas receberem as caixas dos discos vazias”, relata, acrescentando que preferem ir com calma e que de facto o que falta é o poder económico.

Composto por três elementos – Sobreviventes Unidos da Luta (SUL) – o grupo existe desde 1999, formou-se na Cidade do Cabo, na África do Sul e conta com Pipokahz aka Kombaniklotiko tcc First Page, Dj Cavera C e Masta Joy.

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