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Savimbi "zangou-se" com EUA após as eleições de 1992


Capa do livro de Herman Cohen "Intervening in Africa", publicado em 2000

Capa do livro de Herman Cohen "Intervening in Africa", publicado em 2000

Nove anos após a morte de Savimbi, o seu principal interlocutor no Departamento de Estado, Herman Cohen, recorda o lider da UNITA.

Na semana em que passam nove anos sobre a morte de Jonas Savimbi, um dos diplomatas americanos que mais lidou com ele recorda o antigo líder da UNITA como uma "pessoa difícil".

O embaixador Herman Cohen, foi secretário de estado adjunto para os Assuntos Africanos, de 1989 a 2003, durante a administração do primeiro presidente Bush.

Em 1989, os Estados Unidos prestavam cerca de 50 a 60 milhões de dólares por ano em assistência secreta à UNITA que era apoiada por cerca de 250 congressistas entre os 435 da Câmara dos Representantes.

De 1985 a 1993 Jonas Savimbi, aqui fotografado com o Presidente Ronald Reagan, na Casa Branca, disfrutou de uma relação priveligiada com os Estados Unidos.

De 1985 a 1993 Jonas Savimbi, aqui fotografado com o Presidente Ronald Reagan, na Casa Branca, disfrutou de uma relação priveligiada com os Estados Unidos.

O partido de Jonas Savimbi era apoiado pela direita americana - o Partido Republicano - no poder na altura, e que tentava obrigar o MPLA a abandonar o marxismo-leninismo, pôr termo à guerra civil e aceitar eleições livres e justas. Quem geria este processo na administração Bush era Herman Cohen um interlocutor comum de Jonas Savimbi.

"Ele era uma pessoa muito difícil, disse Cohen explicando que Savimbi "tinha apoio muito forte no que se pode considerar a ala direita da política americana. Era muito difícil dar-lhe conselhos que ele não queria ouvir ou criticá-lo no que quer que fosse… pois ele queixava-se aos seus apoiantes, sobretudo numa administração republicana. Portanto, era muito difícil lidar com ele."

A política americana para Angola, aceitando os desejos da UNITA, era a de promover uma “genuína reconciliação nacional conducente a eleições livres e justas”. Os Estados Unidos apoiavam a UNITA, continuaram a apoiá-la após os acordos de paz de Bicesse e até mesmo durante a campanha eleitoral. Mas quando os resultados não lhe deram a vitória, nas presidenciais de 1992, Savimbi voltou-se contra os Estados Unidos.

"Ele estava muito zangado connosco por não aceitarmos a sua reivindicação de que as eleições de 1992 foram fraudulentas," recorda Cohen. "Ele concordou que a ONU estaria encarregada de administrar as eleições e o governo de Angola concordou que a ONU ficaria encarregada de administrar as eleições. Quando a ONU investigou as suas alegações de fraude e verificou que elas não tinham razão de ser, todos nos EUA – incluindo os seus amigos - lhe disseram para aceitar os resultados".

Mas Savimbi não aceitou os resultados. Washington declarou oficialmente, tal como as Nações Unidas, que as eleições foram "em geral livres e justas" e que devia haver uma segunda volta das presidenciais entre Jonas Savimbi e o presidente José Eduardo dos Santos. Mas a UNITA regressou às armas. Savimvi queria menos eleições livres e justas do que eleições que pudesse ganhar. O que aconteceu depois é tema para a uma segunda conversa com o embaixador Herman Cohen.

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