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Saúde deverá ser o principal desafio do próximo presidente brasileiro

  • Maria Cláudia Santos

57% dos brasileiros acham que o sector deve ser a prioridade do Governo.

A saúde é a maior preocupação dos brasileiros a poucas semanas da eleição presidencial do próximo dia 5 de Outubro. De facto 57% acham que o sector deve ser a prioridade do governo. O diagnóstico vem de uma pesquisa do Instituto Datafolha realizada em mais de 130 cidades.

Para 32% dos brasileiros, os problemas relacionados à falta atendimento médico, à dificuldade para conseguir tratamentos e remédios são os que mais afligem a população. Para a maior parte, a saúde no Brasil está na sala de emergência.

Outra pesquisa feita pelo mesmo instituto, o Datafolha, a pedido do Conselho Federal de Medicina, aponta que o índice de insatisfação com a saúde chega a 93% no país. 57% dos brasileiros acham que o tema deve ser tratado como prioridade pelo Governo federal.

Não se pode negar que um número muito maior de brasileiros tem tido acesso ao sistema. Mas isso não livra o paciente de esperas por dias em filas para atendimentos por uma vaga em um CTI por cirurgias, procedimentos mais específicos como hemodiálise e quimioterapia, entre outros.

Para analistas da área, o desafio para o próximo Governo é garantir mais recursos para a saúde pública no Brasil. O vice-presidente do Conselho Federal de Medicina Carlos Vital lembra o baixíssimo financiamento para o Sistema Único de Saúde brasileiro (SUS), que atende hoje 75% da população, contra 25% que têm planos privados.

"O gasto per capita do sistema de atenção à saúde privada é o dobro do gasto per capita com o cidadão que depende da saúde pública. Isso se reflecte de maneira muito clara na infra-estrutura da saúde pública. É precária, sem investimentos necessários para as condições básicas do exercício de atenção à saúde".

O especialista defende que é preciso rever a forma de financiar a saúde pública, gastando menos em áreas que não são vitais, como as propagandas do Governo.

"O financiamento existente hoje pode ser aumentado sem necessidade de elevação de tributos. Nós temos uma série de processos orçamentários que podem ser revistos, por exemplo, marketing publicitário do Governo. Esse marketing é destinado a interesse político eleitoral, na maioria das vezes. Precisamos rever contas como essa", afirma Vital.

Além de ser necessária a vontade política para direcionar mais verbas para a saúde, será preciso enfrentar outro desafio no Brasil: melhorar o uso desse dinheiro. Para Carlos Vital, falta competência.

"Nós tivemos em 2012 algo em torno de 94 bilhões de reais no orçamento previsto e não utilizado. Eu defendo uma reavaliação da competência administrativa hoje disponível para a aplicação das verbas com resultados eficazes. Não é só a questão financiamento, que precisa ser vista, mas também a maior competência administrativa para a aplicação dessas verbas".

O Ministério da Saúde informa que os recursos destinados à rede pública mais que triplicaram nos últimos 11 anos no Brasil, passando de 27,2 de bilhões de reais em 2003 para 91,6 bilhões de reais em 2014.

A médica Mônica Viegas concorda que melhorias têm sido feitas, mas a necessidade aumenta em proporção maior que os investimentos. "O sistema de saúde brasileiro tem feito avanços muito grandes, mas é um longo processo. É um processo histórico, a gente tem que ter paciência", afirma.

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