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Samakuva: Soldados angolanos não devem ser "carne para canhão" a defender Gbagbo


Isaias Samakuva, presidente da UNITA

Isaias Samakuva, presidente da UNITA

Líder da UNITA comenta hipótese de, em caso de intervenção militar da CEDEAO, o governo angolano assumir a defesa de Laurent Gbagbo.

21 Jan 2011 - O presidente da UNITA disse que os soldados angolanos não devem servir de "carne para canhão" na Costa do Martim. Isaías Samakuva comentava a hipótese de, em caso de intervenção militar da CEDEAO naquele país, o governo angolano assumir a defesa de Laurent Gbagbo.

Numa entrevista à VOA, Samakuva afirma que a melhor solução para a Costa do Marfim é uma solução pacífica. Mas na eventualidade de uma intervenção militar, as tropas angolanas não deviam ser enviadas para defender Laurent Gbagbo, um aliado de José Eduardo dos Santos.

Alguns analistas crêem que Eduardo dos Santos manifestou apoio firme a Gbagbo, para indicar possível assistência militar ao presidente cessante marfinense e desencorajar uma intervenção na CEDEAO no sentido de o remover pela via armada.

A esta probabilidade, Samakuva respondeu que “a posição que prefere, ou privilegia, a negociação na Costa do Marfim foi também expressa pelo presidente José Eduardo dos Santos. Portanto penso que [ele] deve ser coerente com a vontade de evitar a guerra. Não precisams de ir para a guerra se houver respeito pelos princípios democráticos, que favorecem o diálogo e a vontade popular”. E na Costa do Marfim, prosseguiu a “vontade popular foi clara” com a eleição de Ouattara.

Interrogado sobre se a UNITA apoiaria, em algum caso, o recurso a soldados angolanos para defender Gbagbo, disse: “Há quem, diga que já lá estão. Não sabemos. O governo diz que não… Mas os que disseram que [as tropas] lá estão ainda não confirmaram”.

Manifestando firme oposição a essa hipótese, Samakuva declarou à VOA que “os angolanos não deviam servir de carne para canhão para conflitos deste género… Devemos deixar as nossas tropas, quanto muito, para missões de paz”.

Samakuva adianta que não deve haver partilha do poder, posição igualmente defendida pelo mediador da União Africana, Raila Odinga, que ontem esteve em Luanda, para conversações com o Presidente de Angola.

Ondinga reiterou que a União Africana e a CEDEAO defendem uma solução pacífica e negociada para a crise pós-eleitoral na Copsta do Marfim, mas admitiu – como última hipótese – o o recurso à “força legítima” para afastar Gbagbo.

De acordo com Raila Ondinga, durante o encontro com José Eduardo dos Santos foram abordadas várias hipóteses para resolver o problema, com excepção da repetição da segunda volta das presidenciais.

“A solução encontrada para as crises verificadas no Zimbabwe e no Quénia não se enquadram no caso da Costa do Marfim”, declarou Odinga referindo-se à partilha de poder.
O mediador e primeiro-ministro do Quénia, vê a crise da Costa do Marfim como um desafio para a democratização de África. Lembra que neste ano 17 países africanos vão a votos, e por isso a solução encontrada para a Costa do Marfim poderá servir de exemplo positivo.

Mas ainda não há garantias de uma solução pacífica. Numa entrevista à VOA, Alassane Ouattara afirma parecer claro que vai ser preciso recorrer à força para obrigar Gbagbo a abandonar o poder visto que este já não aceita negociar e não reconhece o mediador Raila Odinga.

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