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Salários em atraso provocam revolta nos Caminhos-de-Ferro de Benguela

  • João Marcos

Trabalhadores dizem que o Conselho de Administração não dá explicações a ninguém.

Dois meses de salários em atraso dão lugar a um ambiente de revolta no Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB), embora sem rumores de greve, à semelhança do que se vive no Porto Comercial, outra empresa do Corredor Económico do Lobito.

Trabalhadores dizem que o Conselho de Administração, já a par da onda de insatisfação, não dá explicações a ninguém.

E como um mal nunca vem só, aos salários em atraso junta-se uma substancial redução na distribuição de bens alimentares como arroz, fuba, leite e óleo.

Vários trabalhadores com crédito bancário acabam por ver quase todo o ordenado diluído em juros de mora.

‘’Há quem não leve nada para casa’’, informou um funcionário administrativo, um dos vários abordados sobre a crise salarial."

O Conselho de Administração não conversa com os funcionários, ávidos de uma justificação, nem tão-pouco com a comunicação social.

Declarações a jornalistas, tanto para esta situação como para o projecto de reabilitação, só com autorização do Ministério dos Transportes, conforme pôde aferir a VOA.

Contudo, um pronunciamento do presidente do Conselho de Administração, José Carlos Gomes, pode ajudar a explicar o dilema de uma empresa que esperava acumular riqueza já a partir deste ano.

‘’O produto que nós pretendemos transportar, o cobre, é que nos vai garantir riqueza. Neste momento, só transportamos passageiros, que pagam 1.300 kwanzas de Benguela ao Huambo. Assim não ficamos ricos’’, frisa Gomes.

Ainda à espera de meios rolantes, o CFB, empresa que recebeu dois mil milhões de dólares para um projecto de reabilitação e modernização, terá de aguardar pelos ramais de ligação à Zâmbia e ao Congo Democrático.

Com mais de mil trabalhadores, divididos por Benguela, Huambo, Bié e Moxico, a empresa pratica um salário-base de 35 mil kwanzas, cerca de 200 dólares norte-americanos.

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