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Saída de Armando Guebuza bem aceite por líderes da Frelimo

  • Ramos Miguel

Armando Guebuza

Armando Guebuza

Em Moçambique, a renúncia de Armando Guebuza do cargo de Presidente da Frelimo foi acolhida com satisfação por membros do Partido, havendo, no entanto, quem afirme que ele já o devia ter feito há bastante tempo porque seria menos penoso.

A saída de Guebuza não fazia parte da agenda da quarta sessão do Comité Central da Frelimo, terminada na madrugada desta segunda-feira, 30, razão pela qual surpreendeu os participantes no encontro.

A sociedade moçambicana tecia duras críticas à liderança de Armando Guebuza, tida como conflituosa. Analistas dizem que isso terá forçado o antigo Presidente a passar a liderança do partido a Filipe Nyussi, uma vez que, pelos estatutos, ele devia manter-se no cargo até ao Congresso de 2017.

José Óscar Monteiro, um dos históricos da Frelimo e crítico de Guebuza, diz que a sua renúncia só peca por tardia. "Para dizer a verdade, acho que esta decisão podia ter sido tomada antes, e teria sido menos desagradável e menos penosa. Mas de todo o modo, esta decisão é parte de um processo de entrada no novo ciclo político, que começou antes com a renovação", afirmou.

Visivelmente satisfeita com a renúncia, a antiga primeira-ministra Luisa Diogo, outra voz crítica à liderança de Armando Guebuza, considera que Moçambique inicia agora um novo ciclo de governação.

Na opinião dela, trata-se de um novo ciclo de governação com uma nova geração de que ela faz parte, "e nós temos a sorte de termos também a geração do 25 de Setembro, a geração dos libertadores da pátria, para dar o suporte necessário para os sucessos que virão. Hoje foi uma etapa extremamente importante, porque encerrou-se um marco do processo de transição".

Por sua vez, o actual primeiro-ministro Carlos Agostinho do Rosário disse que a eleição de Filipe Nyussi para o cargo de presidente da Frelimo, "reflecte a necessidade de coesão dentro do partido Frelimo, coesão essa que é necessária para continuarmos a trabalhar na busca da paz e do desenvolvimento".

Entretanto, Conceita Sortane, membro da Comissão Política da Frelimo, afirma que Guebuza deixa um bom legado para os moçambicanos.

Após a renuncia de Guebuza seguiu-se um processo de eleição do novo presidente, tendo Filipe Nyussi sido eleito com 186 votos a favor, dois brancos e um nulo.

Refira-se que o líder da Renamo, Afonso Dhlakama disse esperar que com a eleição de Nyussi para a liderança da Frelimo, o diálogo político seja mais produtivo.

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