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Reino Unido criticado por ajudar o Ruanda

  • Redacção VOA

Relatório da ONU afirma que ministro ruandês da defesa é comandante efectivo do grupo rebelde congolês M23

Relatório da ONU afirma que ministro ruandês da defesa é comandante efectivo do grupo rebelde congolês M23

Governo britânico doou 26 milhões de dólares a Kigali em Setembro, altura em que a comunidade internacional decidiu congelar ajuda ao Ruanda pelo seu apoio ao M23 da RDC

Grupos dos direitos humanos criticaram o Reino Unido por ter concedido ao Ruanda 26 milhões de dólares de ajuda, após a maioria dos doadores internacionais ter congelado pagamentos àquele país por causa de alegações de que Kigali estava a apoiar a rebelião na República Democrática do Congo.

A doação britânica está a ser considerado como um escândalo político em Londres, onde reporta Henry Ridgwell da VOA.

A revelação pela imprensa no início deste mês de informações de um relatório das Nações Unidas, confirmou que o governo ruandês de etnia Tutsi estava a dar apoios a rebelião M23, e até enviava soldados para as operações de apoio.

O relatório afirmava que o ministro ruandês da defesa é o comandante efectivo do grupo rebelde.
Carina Tertsakian é da Divisão Africa da Human Rights Watch.

“Temos documentos que provam sérios abusos do M23 contra a população civil em áreas sob o seu controlo. Esses abusos incluem execuções sumárias – particularmente daqueles que tentaram escapar-se. Existem igualmente numerosos casos de violações de mulheres e de adolescentes, como raparigas de 8 anos.”

Tanto o Ruanda como o M23 negaram as acusações de ajuda de Kigali. Mas ainda assim, muitos doadores internacionais decidiram suspender as ajudas ao governo ruandês no início deste ano.

Entretanto, o Reino Unido acabou por decidir no inicio de Setembro, liberar 26 milhões de dólares de ajuda ao Ruanda.
A Human Rights Watch diz não entender a razão do governo britânico.

“A razão da suspensão foi por causa do apoio do Ruanda ao M23. E esse apoio à rebelião continuou até Agosto e inicio de Setembro. Por isso, é muito difícil entender a razão para a retomada da ajuda.”

O então Secretário de Estado britânico para o desenvolvimento internacional, Andrew Mitchell, foi desde então transferido para um outro cargo no governo, no dia a seguir a ordem para a retoma da ajuda. Desde então, tem havido pressões para que se demita.
O parlamento inglês anunciou que irá investigar os donativos ao Ruanda.

Ivan Lewis é membro da oposição e secretáio de estado para o desenvolvimento internacional do governo sombra.

“Qualquer um chega a conclusão de que as estreitas relações e conexões que existem entre o primeiro-ministro David Cameron, Andrew Mitchell, o partido Conservador no poder e o governo do Ruanda, tiveram um importante peso nessa decisão.”

Em prova escrita e enviada ao parlamento na altura em que decidiu a favor da ajuda, Andrew Mitchell dizia que “o Ruanda se tinha comprometido constructivamente com o processo de paz.”

Na Secretaria do Desenvolvimento Internacional ninguém se mostrou disponível para comentar o argmuento de Mitchell, mas a instituição acabou por publicar um comunicado no qual garante que “o Secretário para o Desenvolvimento Internacional vai acompanhar de perto a questão do orçamento de ajuda ao Ruanda ainda da sua decisão de Dezembro.”

O Reino Unido é o maior parceiro bilateral do Ruanda com uma ajuda este ano de 130 milhões de dólares. Na semana passada o primeiro-ministro David Cameron elogiou o Ruanda como a prova de quebra do “ciclo da pobreza”, numa alusão aos bons resultados do país na luta pelo desenvolvimento.

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