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"Roubo à mão desarmada" nos complexos olímpicos

  • Alvaro Ludgero Andrade

Preços no restaurante do Centro de Imprensa, Rio de Janeiro

Preços no restaurante do Centro de Imprensa, Rio de Janeiro

"Os gringos vêm com ´doleta` e os caras dispararam o preço", foi o lamento que ouvi de um jornalista brasileiro, corroborado por dezenas de profissionais da comunicação sobre os preços de bebidas e alimentos no Centro de Imprensa, localizado na Barra da Tijuca.

O pior é que não há quase nada nas redondezas, a não ser um pequeno centro comercial que, com três restaurantes, não consegue alimentar centenas de pessoas, que não têm tempo para esperar longas filas.

Prato de comida, Rio de Janeiro

Prato de comida, Rio de Janeiro

O ´murro no estômago" é mais forte quando alguém quer almoçar no restaurante do Centro de Imprensa. Como se pode ver na foto, um quilo de comida em jeito de variedades em self-service, o famoso buffet, que os brasileiros pronunciam bifet, custa cerca de 30 dólares, sem contar bebida, café e sobremesa. Que também são caros.

Desde o primeiro dia fugi do local, o que me leva a ficar horas sem comer ou a ter de sair do complexo e ir fazer uma longa fila no tal pequeno centro comercial que dista de 15 a 20 minutos a pé. O prato que aparece na foto, por exemplo, custou no tal centro comercial cerca de 10 dólares, uma grande diferença.

Mas há mais.

Restaurante no Centro de Imprensa, Rio de Janeiro

Restaurante no Centro de Imprensa, Rio de Janeiro

O mercadinho montado na Vila Olímpica é um autêntico roubo a mão desarmada. A loja cobra por itens fundamentais, como adaptadores de tomadas e repelentes contra mosquitos, valores até três vezes maiores que os praticados nas lojas do Rio de Janeiro. Só que essas lojas estão longe.

Por exemplo, uma caixa com 10 adaptadores - artigo fundamental, já que a entrada brasileira é única no mundo - custa geralmente 30 dólares, mas lá dentro paga-se o dobro, enquanto um tubo de repelente de mosquitos que vale 6 dólares no mercado, pode ser comprado a 18 dólares na Vila Olímpica.

Em tempos de zika, a situação complica-se ainda mais para os estrangeiros que não têm alternativas e que têm de pagar 40 dólares por um cartão de memória de 32GB, quando no mercado regular vale 12 dólares.

São preços absurdos numa cidade que também viu disparar os preços, tudo por causa das Olimpíadas. Os cariocas perguntam se, em tempo de crise também no país, os preços para os residentes apanharam ´carona´ com as Olimpíadas, vão continuar.

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