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Insegurança no Rio de Janeiro "ameaça" Jogos Olímpicos

  • Patrick Vaz

Estado regista 21 roubos a cada hora e 14 assassinatos por dia.

A cidade do Rio de Janeiro é um verdadeiro caos urbanístico, reconhece o secretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, que fez duras críticas à desorganização na cidade-sede das Olimpíadas, sobretudo a crescente violência.

Apenas nos quatro primeiros meses deste ano, a violência no Rio de Janeiro cresceu 15 por cento e no Estado são registrados 21 roubos a cada hora e 14 assassinatos por dia.

Neste ano, também já estão contabilizados 1.715 homicídios e mais de 63 mil roubos.

Diante deste crítico cenário, o secretário de Segurança José Mariano Beltrame disparou contra a administração da cidade-sede olímpica.

As críticas inflamaram depois que bandidos fortemente armados metralharam um hospital e resgataram no fim de semana um dos chefes do tráfico de drogas na cidade preso e baleado nm confronto com militares.

“Nós agimos numa cidade totalmente desorganizada, numa cidade sem limite, numa cidade sem nenhum tipo de parâmetro de crescimento, mas a polícia opera. Mas não se surpreendam que, num verdadeiro caos urbanístico que é o Rio de Janeiro, neste momento, não tem alguém de fuzil em alguma linha do trem. Que polícia no mundo opera num cenário desse? Nós operamos, mas, e o resto?”, questiona José Mariano Beltrame.

A resposta a essa afirmação foi imediata.

O presidente da Câmara do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, acusou o Estado de não garantir a segurança nas ruas.

“As pessoas estão sempre dando desculpas, é a escuridão, a falta de urbanização, desigualdade social. E aí, e o Hospital Souza Aguiar? A gente tem obrigação de atender todos os doentes, sejam criminosos ou não. Mas você tem limite, precisa ter força de segurança ajudando. Ali, por acaso, não tem nenhuma desordem urbana, falta de luz, desigualdade social. Falta polícia”, disse Eduardo Paes.

O Governo federal, por meio do ministro da Defesa, Raul Jungmann, disse que a segurança das Olimpíadas do Rio está dentro dos melhores padrões internacionais e que o Brasil mantém contacto permanente com órgãos de inteligência de mais de 100 países.

Entretanto, a socióloga Julita Lemgruber entende que esses problemas no Rio de Janeiro são reflexos da política de segurança implantada em anos anteriores.

“A cidade está tão violenta porque há um descrédito geral na política de segurança pública que foi implementada nos últimos anos. A crença no sucesso das UPPs já ficou no passado. Isso contamina todas as áreas, não só as áreas de UPP, contamina a cidade como um todo”, disse em entrevista à TV Globo.

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