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Analistas dizem que r etirada de observadores pode por em perigo a paz em Moçambique

  • Ramos Miguel

Afonso Dhlakama e Filipe Nyusi

Afonso Dhlakama e Filipe Nyusi

Governo moçambicano diz não haver condições para a continuidade da equipa de observação da cessação das hostilidades.

Analistas dizem que a retirada da equipa internacional de observação das hostilidades militares em Moçambique pode por em perigo o processo de paz, uma vez que pode motivar os homens armados da Renamo a recorrerem a actos de violência, além de aumentar a desconfiança entre as partes em conflito.

O Governo moçambicano diz não haver condições para a continuidade da equipa de observação da cessação das hostilidades porque a Renamo se recusa a entregar a lista dos homens que integram a chamada força residual deste partido.

A Renamo, na voz do chefe da delegação deste partido ao diálogo com o governo, Saimone Macuiane, no que é visto como radicalização de posições, diz que " é indispensável a aprovação do modelo de integração dos homens, porque sem isso, não haverá nenhum avanço do ponto de vista de como fazer".

Entretanto, o jurista José Machicame, diz que este posicionamento significa que, de facto, a Renamo quer ter poder ao nível das forças armadas e da Policia de Moçambique.

Machicame enfatizou que "a Renamo quer um poder, de facto, mas, obviamente, protegido por lei. A mim não me escandalizaria se notássemos posições diametralmente opostas ás posições que estão a ser assumidas agora. É perfeitamente normal, ao entrar num processo negocial, pretender começar com uma fasquia mais alta, como estratégia negocial e ir doseando as exigências, ou seja, as partes entram com posições radicalizadas, mas as mesmas vão sendo flexibilizadas à medida que o processo negocial está em curso".

Por seu lado, o sociólogo João Colaço teme que o arrastar do diálogo entre o Governo e a Renamo sobre questões militares, sem resultados concretos, possa criar descontentamento, sobretudo ao nível dos homens armados do partido de Dhlakama.

Segundo aquele académico, "os ex-guerrilheiros da Renamo acham que fizeram a guerra com um certo sucesso, mas não têm sido beneficiários desta mesma guerra, cujo objectivo, de acordo com o seu próprio discurso era a conquista da democracia. Muitas vezes, a pergunta que eles fazem é: o que valeu termos parado a guerra, quando, na verdade, os principais beneficiários são aqueles que estão directamente ligados ao Partido no poder".

Para Colaço, isso cria descontentamento sobretudo ao nível dos homens que, na percepção deles, não têm nada a perder. "São pessoas com uma idade quase no limite do ponto de vista de capacidade de gozo de benefícios da paz e que por alguma ruptura do ponto de vista emocional e psicológico, podem partir para actos de violência", explica.

Por seu turno, o engenheiro electrotécnico e analista politico Luís Loforte diz que, em processos africanos, o envolvimento de observadores internacionais dá alguma dose de segurança aos protagonistas políticos "porque sabem que estando uma moldura diplomática envolvida no processo, o outro lado pode não ser tentado a qualquer tentativa de subverter o processo".

Refira-se que o mandato da equipa de observadores militares internacionais do acordo de cessação das hostilidades termina dentro de horas.

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