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A “reprimenda” dos eleitores sul-africanos ao ANC


Arcebispo Desmond Tutu votou em Milnerton, Cape Town (Africa do Sul) 3 Aug. 2016.

Arcebispo Desmond Tutu votou em Milnerton, Cape Town (Africa do Sul) 3 Aug. 2016.

Os resultados das eleições municipais mostram que o ANC a obter a maioria dos lugares mas a levarem ao mesmo tempo uma “reprimenda” nas principais áreas urbanas.

Os resultados eleitorais do escrutínio de terça-feira mostram que os eleitores sul-africanos se estão a afastar do Congresso Nacional Africano (ANC), em grande número, e a negarem-lhe a vitória nos maiores centros urbanos.

O ANC, que lutou pelo fim do apartheid na Africa do Sul, continuará, contudo, a disfrutar de um maior número de assentos nos governos locais.

Mas esta eleição deu à Aliança Democrática (DA) na oposição ganhos decisivos especialmente nas áreas metropolitanas como Joanesburgo, o centro económico, em Pretória a capital, e na cidade costeira de Port Elizabeth. ADA já controla a Cidade do Cabo e a vizinha província do Cabo Ocidental.

Os Combatentes da Liberdade Económica (EFF ), da extrema-esquerda, também obteve ganhos a nível nacional, mas não o suficiente para dominar qualquer área urbana.

Os eleitores estão desmoralizados com os numerosos escândalos dentro do ANC, as persistentes alegacões de corrupção que rodeiam o presidente Jacob Zuma, e a recorrente desigualdade e desemprego que o ANC não resolveu desde que chegou ao poder em 1994.

Susan Booysen professora de governo na University de Witwatersrand e autora do livro Domínio e Declínio, o ANC na Presidência de Zuma diz que a eleição local pode ter grande impacto no futuro.

“Tem grandes implicações, penso eu, para a governação da África do Sul e para os partidos políticos. Pode significar que pela primeira vez o ANC terá necessidade, forçá-lo a reflectir em como vai se posicionar para as eleições nacionais e provinciais em 2019.”

Em 2019, a Africa do Sul terá eleições nacionais, altura em que termina o segundo mandato do presidente Zuma.

Entretanto, a oposição terá possibilidade de mostrar determinação, mas, diz Booysen, continuará a estar debaixo da batuta do ANC.,

“É inevitável que em algumas cidades haja governos de coligação, onde os Combatentes da Liberdade Económica e a Aliança Democrática são a segunda forca politica a seguir ao ANC.”

Mas é claro que foi dado um aviso ao partido no poder e que muitos críticos dizem que a queda do ANC pode ser atribuído diretamente a um homem.

Talvez que um bom exemplo da falta de popularidade do presidente Zuma seja os resultados conhecidos. Um presidente da zona rural de Nkandla, onde remodelou uma casa de família com cerca de 20 milhões em fundos governamentais.

Mas uma área que a partir de agora, o ANC deixou de controlar. O partido do President Zuma perdeu a terra natal daquele para o relativamente obscuro partido Inkata da Liberdade.

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