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Renamo denuncia abusos de militares em algumas províncias

  • André Baptista

António Muchanga, porta-voz da Renamo

Brigadas do partido reconhecem que governos e polícia respeitam a trégua

Brigadas parlamentares da Renamo, destacadas semana passada para avaliar o compromisso pela estabilidade e paz, no âmbito do cessar-fogo, concluiram que os governos provinciais de Tete, Manica, Sofala (centro) e Inhambane (sul) “aparentam estar comprometidas a cumprir com as orientações do Presidente da República” e lamentam novos escândalos nas forças de defesa e segurança.

Deputados do principal partido da oposição em Moçambique, foram recebidos em audiências na semana passada pelos governadores e comandantes provinciais da Polícia, em zonas severamente fustigadas pela reedição, em 2016, do conflito político-militar entre a Renamo e as forças governamentais.

As autoridades governamentais não fizeram quaisquer declarações à imprensa sobre as reuniões com os deputados da oposição.

António Muchanga, porta-voz da Renamo, disse que as entidades contactadas – governadores e comandantes provinciais da Polícia – aparentam compromisso com a busca de paz e estabilidade, pelo que qualquer atitude contrária significa desrespeito às ordens do Presidente da República, Filipe Nyusi.

“O mais importante é que assumam o compromisso do chefe de Estado como seu compromisso, tendo em conta que eles representam as instituições do Estado, neste caso, o governador é o representante máximo do chefe do Executivo na província e o comandante da polícia é o coordenador das forças de defesa e segurança na província” frisou António Muchanga,

Muchanga, citando o relatório das brigadas, lamentou que em Manica, no distrito de Báruè, na vila de Catandica, as populações reclamam roubos protagonizados por elementos das forças de defesa e segurança devidamente identificados, “que à calada da noite, usando uma viatura, do Ministério da Educação, por dois dias, roubaram mobiliário e outros utensílios de populares”.

O porta-voz afiançou que a estes actos de saque igualmente foram associados vários graduados, atitude que, segundo ele, mancha a imagem das Forças de Defesa e Segurança (FDS).

Já em Sofala, no distrito de Gorongosa, a Renamo acusa as forças de defesa e segurança da zona de Mapanga-Panga, de terem atacado um pequeno empreendedor, de nome Jequete, dono de uma moageira.

Em Muxúnguè, distrito de Chibabava, ainda em Sofala, as FDS estacionadas na localidade Pandja, são acusadas de andarem nas machambas das populações a tirarem ananás, que transportam em viaturas militares, para a estrada nacional número um, onde vão vender.

Moçambique cumpre a quarta parte do cessar-fogo de dois meses decretado pelo líder da Renamo, Afonso Dhlakama, para permitir novas etapas de negociações de paz e que termina, a 4 de Março próximo.

Em entrevista a VOA em Janeiro Afonso Dhlakama manifestou esperança de ver encontrada uma solução para a equação da paz antes do termino do prazo da trégua.

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