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Renamo avisa que paciência está a esgotar-se

  • William Mapote

Afonso Dhlakama

Afonso Dhlakama

Afonso Dhlakama pede contenção ao Governo.

Nove meses depois da assinatura dos acordos de cessação das hostilidades, que, oficialmente puseram fim aos confrontos armados entre as Forças de Defesa e Segurança (FDS) e as tropas residuais da Renamo, o país voltou a registar vítimas resultantes de desentendimentos entre os dois exércitos.

A recente confrontação registou-se no domingo, 14, na localidade de Mucombedzi, posto administrativo de Zóbwè, distrito de Moatize, na província de Tete, e resultou em mortos e feridos entre as forças em confronto, em número sem descrição oficial.

A denúncia foi feita nesta terça-feiram 16, pela Renamo, através do seu porta-voz António Muchanga, em conferência de imprensa em Maputo, salientando que a confrontação foi uma reacção das tropas do seu partido, na sequência de uma ofensiva das FDS.

"No domingo à tarde, dois camiões e um veículo Land Cruiser, equipado com uma metralhadora, partiram da cidade de Tete cheios de militares e foram àquela povoação atacar o quartel da Renamo", denunciou Muchanga.

Segundo o porta-voz, o ataque de domingo foi o segundo sofrido pelas suas tropas, em menos de uma semana. O primeiro teve lugar na passada quinta-feira (três dias antes de Tete), no distrito de Funhalouro, província de Inhambane, que só não registou vítimas porque, ao invés de confrontação, "os guerrilheiros da Renamo conseguiram escapulir-se".

Para além de deixar a sua condenação aos ataques, que "colocam em causa o acordo de 5 de Setembro (2014)", Muchanga alertou que a situação está a gerar nervosismo e impaciência no seio dos comandantes das tropas do seu partido, em particular.

"A paciência dos comandantes da Renamo está a esgotar-se", alertou Muchanga, salientando, no entanto, que Afonso Dhlakama está preocupado com a situação, mas "na qualidade de comandante-chefe das forças armadas da Renamo, pede a contenção das forças do Governo para que a paz seja uma realidade no país".

O porta-voz do Comando Geral da Polícia da República de Moçambique, Pedro Cossa, confirmou ontem a ocorrência, mas atribui a autoria dos ataques aos homens armados da Renamo.

Um dos princípios estabelecidos nos acordos de 5 de Setembro é a cessação total da confrontação armada, situação que, apesar de algumas acusações surgidas a caminho, foi respeitada durante os cerca de oito meses em que o processo esteve sob a supervisão da Equipa Militar de Observação da Cessação das Hostilidades Militares, dissolvida ao fim de dois mandatos inglórios.

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