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Refugiados no Malawi queixam-se de perseguição em Moçambique e pedem cessar-fogo

  • André Baptista

Tendas no campo de refugiados moçambicanos no Malawi.

Tendas no campo de refugiados moçambicanos no Malawi.

Os refugiados moçambicanos no Malawi, que fogem à crise político-militar em Moçambique, pedem um cessar-fogo urgente entre as Forças de Defesa e Segurança e os homens armados da Renamo, para retomarem as suas vidas.

Milhares de refugiados que chegam ao campo de Kapise, no Malawi relatam que as forças do Governo quando chegam às aldeias incendeiam as casas e celeiros e torturam moradores, alegando que a população alberga e oferece mantimentos a apoiantes da Renamo.

Por isso, muitos condicionam o regresso ao país a um cessar-fogo.

“Há muitas pessoas que perderam a vida, pois a FIR questionava como você estar aqui, enquantohá homens de Muxungue (da Renamo). Depois diziam que nós (população) é que fazemos comida para homens da Renamo e matava pessoas, e para não morrer estamos a fugir, há muitas pessoas que estão a fugir por causa disso”, relatou à VOA Alberto Passingasse, que pede um entendimento das partes desavindas.

O jovem de 29 anos, que chegou a Kapise com uma família de sete membros, disse ter caminhado dois dias para fugir à perseguição e barbaridades cometidas pelas forças estatais e condiciona o regresso a um novo acordo de paz.

“Esse dia morreram muitas pessoas, é por isso que ficamos com medo. Estão a morrer todas estas pessoas depois vamos acabar nós. Só eles (forças armadas) falharam balas (quando estava a fugir), porque disparavam para todos a pensar que todos são muxungue (homens da Renamo)”, contou ainda Passingasse, que vive numa cabana de dois metros quadrados com toda sua família.

Também Rogério Conselho, um agricultor 60 anos, tenciona voltar a casa em Ndande, uma região fronteiriça do distrito de Moatize, na província de Tete, mas lembra que “o que me fez carregar as coisas e fugir para aqui em Malawi foi a guerra, a guerra da Frelimo”.

O homem, pálido e tenso, observa que se “o Governo de Moçambique e o partido da Renamo, chegarem a acordo, vou voltar para Moçambique mas com paz, sem paz não”.

Moçambique alcançou um segundo acordo de paz a 5 de Setembro de 2014, depois de o primeiro em 1992 que pôs fim a uma guerra de 16 anos em 1992.

Contudo vários incidentes voltaram a ser registados, com acusações mútuas de perseguição por parte do Governo e da Renamo, incluindo dois ataques a caravanas do líder da Renamo, Afonso Dhlakama, e o cerco e invasão da sua casa na Beira, de onde a polícia levou 16 armas.

A réplica da operação de recolha de armas pelas bases do movimento provocou uma nova vaga de refugiados (saindo de Moatize) no Malawi, além de outros milhares de deslocados na Gorongosa e Inhaminga (Sofala), e Morrumbala (Zambézia), centro de Moçambique e Funhalouro (Inhambane, sul).

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