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Refugiados moçambicanos no Malawi com futuro incerto

  • Redacção VOA

Refugiados moçambicanos n "Kapise II", em Mwanza, Malawi

Refugiados moçambicanos n "Kapise II", em Mwanza, Malawi

A tensão politica em Moçambique, que provocou recentemente troca de tiros entre o exército e forças da Renamo, aumenta o número de pessoas que procuram refúgio no Malawi.

Mais de 150 moçambicanos entraram no Malawi, nos últimos dias, mas o seu futuro é incerto, uma vez que as autoridades malawianas têm planos de encerrar o centro de refugiados que alberga outros 140 moçambicanos.

Os moçambicanos começaram a entrar no Malawi em Julho, através do distrito fronteiriço de Mwanza. Nessa altura, o Malawi hospedou 775 refugiados, após a Renamo ter realizado dois ataques na província de Tete.

Os candidatos a refugiados são da região de Zobué. Eles construíram abrigos precários em Kapise II, a meio quilómetro de Moçambique.

Patrick Thukuta, funcionário malawiano no campo de Kapise II, disse à VOA que mais refugiados entram no país diariamente. Pelo menos 35 na última semana.

Os refugiados reclamam que as condições no Kapise II não são melhores do que de onde vieram.

Grace Chadreque, mãe de três filhos, disse que no campo falta quase tudo: “Não há centro de saúde, as pessoas não têm dinheiro para comprar sabão, não há comida, nem sal.”

Ela não sabe como irão sobreviver sem tendas, quando no próximo mês iniciar a época chuvosa.

Chadreque pede ao governo para que os refugiados sejam realocados no campo de Luwani, onde outros 140 estão abrigados. Mas as autoridades não aceitam mais refugiados, por causa de questões financeiras. Na semana passada foi recusado o acesso a 30 refugiados do campo de Kapise II.

Gift Lapozo, Comissário de Mwanza, disse que a decisão de não aceitar os refugiados no Campo de Luwani seguiu uma orientação do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e Ministério do Interior, porque o campo está em processo de encerramento.

Lapozo disse que não se conhece o futuro dos refugiados. “Não temos ainda uma decisão final, porque é um assunto que o ACNUR e Ministério do Interior estão a tratar connosco como autoridades locais.”

Verniz José João, líder do refugiados no campo de Luwani, disse que tal como no Kapise II, os refugiados não têm comida e o saneamento é preocupante, uma vez que não têm latrinas apropriadas.

O campo de Luwani albergou moçambicanos durante a guerra civil, entre 1977 e 1992.

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