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"Há que recriar o Pan-Africanismo", defende Marcolino Moco

  • Alvaro Ludgero Andrade

Marcolino Moco

Marcolino Moco

Antigo primeiro-ministro angolano diz que os golpes militares foram substituídos por golpes constitucionais dos governantes para se perpetuarem no poder.

“Há um deserto de ideias sobre o desenvolvimento de África, com uma visão africana”, afirma Marcolino Moco, antigo primeiro-ministro angolano e primeiro secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Moco considera que “quem ousa pensar, ou tem de se submeter aos regimes ou emigrar para os Estados Unidos ou Europa”, salvo raras excepções.

No Dia de África, que se celebra nesta quarta-feira, 25, aquele advogado angolano e consultor internacional, analisa em conversa com a VOA a necessidade de se “recriar o Pan-Africanismo”, de modo a que os sistemas de organização das sociedades não sejam aqueles coloniais da pré-indepedência, “mas que reflictam a realidade africana, nomeadamente a étnica, e os valores da liberdade e da democracia”.

Marcolino Moco discorre sobre o falhanço da democracia no estilo importado e o aproveitamento desse deserto de ideias por “ditadores, que se transformam em monarcas” que, com eleições fraudulentas e “rapidamente consideradas livres pela União Africana e organizações internacionais” se perpetuam no poder, repartindo “entre eles e alguns poderes das antigas colónias” as riquezas de África.

"Os golpes militares são raros, mas foram substituídos por autênticos golpes constitucionais promovidos pelos actuais dirigentes, através dos quais mantêm-se no poder", reforça Moco.

Acompanhe a entrevista:

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