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Receitas da Indústria extractiva poderão financiar economia verde, diz o Banco Africano de Desenvolvimento

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Foto de arquivo

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Um novo "fundo de investimento da economia verde", apoiado pelas arrecadações da indústria extractiva, poderia estimular o investimento em infraestruturas vitais em Moçambique.

A recomendação consta da revisão de políticas do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), que pretende apoiar as metas de desenvolvimento sustentável de Moçambique.

O banco diz que os valores resultantes da indústria extractiva poderiam ser investidos em portfolios financeiros diversificados, como acções e imobiliária, cujas receitas seriam usadas em actividades de economia verde.

Entre as áreas de investimento, o banco destaca o aproveitamento do potencial hidro, iólico e solar para a produção de electricidade, aproveitamento da eletricidade e gás nos meios de transporte, e construção de estradas ligando os principais mercados às zonas de produção agrícola.

A pesquisadora Fatima Mimbire, do Centro de Integridade Pública, considera a proposta salutar, porque pode produzir mudanças.

“A situação é que as comunidades não estão a ter o real benefício da exploração de recursos minerais em termos qualitativos”, diz.

Mimbire, cuja área de concentração é a indústria extractiva, faz referência à zonas em Tete, onde há investimento estrangeiro na extração de carvão mineral, que ainda carecem de condições básicas para as comunidades.

Diz ela que “no reassentamento de Cateme, por exemplo, não existe uma estrada em condições” para escoar a produção dos camponeses e facilitar a sua movimentação para fazer os seus pequenos negócios.

Mimbire adverte que, além de se apostar no investimento proposto pelo BAD, é preciso melhorar a comunicação com as comunidades que acolhem novos projectos da industria extractiva, com realce para Tete e Cabo Delgado, onde as pessoas chegam a ter falsas expectativas sobre os ganhos e oportunidades.

Ela recorda que “em Palma (Cabo Delgado) acompanhamos uma consulta pública na qual as pessoas das comunidades não tiveram uma explicação clara sobre os benefícios e as autoridades prometeram emprego sem ressalvar que na fase de exploração haverão poucas vagas para os locais”.

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