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Quénia - Ataque mostra que al-Shabab continua a ser uma força a não ignorar


Ataque ao centro comercial queniano Westagte

Ataque ao centro comercial queniano Westagte

O que significa o ataque terrorista ao centro comercial Westgate significa sobre as intenções e a capacidade do grupo militante?

Dois anos apos a sua colocação na Somália, as tropas quenianas que ali estão para combater a Al-Shabab e ajudar a abrir caminho para o primeiro governo somali em 20 anos, a Al-Shabab levou a sua luta para o Quénia.

Em Outubro de 2011 as forças quenianas foram enviadas para a Somália para responder aos alegados raptos e ataques fronteiriços da Al-Shabab. Numa semana, o grupo militante ameaçava que iria deitar abaixo arranha-céus em Nairobi, a menos que fossem retirados os soldados quenianos.

Por fim o grupo, a 21 de Setembro o grupo concretizou a sua ameaça quando homens armados entraram no centro comercial de luxo de Nairobi, matando dezenas de pessoas, ferindo pelo menos 175 outras, e fazendo reféns.
Especialistas em segurança na região e de algumas embaixadas estrangeiras tinham avisado que o grupo estava a planear um ataque desta envergadura em cidades quenianas.

Emmanuel Kisiangani, investigador sénior do Instituto de Estudos de Segurança sediado em Nairobi, diz que os atacantes pareciam ser veteranos do grupo terrorista e que estavam bem preparados e treinados.
“Parece que(os atacantes) estavam já há bastante tempo com o grupo. Tivemos informações que vieram de vários países. Mas para organizar um acto daquela natureza é preciso muito trabalho de observação. Não é algo que se decide fazer no momento. Tem que se conhecer o centro comercial, pelo que parece que os atacantes já faziam parte do grupo há bastante tempo.”

A Al-Shabab tem vindo paulatinamente a perder terreno na Somália e ficou enfraquecido por um esforço concertado da força multinacional da União Africana e das tropas somalis. Em tempos controlavam grandes áreas da Somália, mais recentemente têm sido capazes de lançar ataques rápidos e desaparecer de seguida.

O resultado tem sido um grupo dividido em como envigorar a luta pelos seus objectivos de uma Somália onde vigora a sua interpretação estrita da lei Islâmica.
Alguns líderes da Al-Shabab querem os seus combatentes a operarem apenas dentro da Somália, enquanto outros, como Mukhtar Abu Zubeyr, também conhecido por Godane, pressionam a uma guerra santa global.

Numa entrevista à VOA, o antigo embaixador americano na Etiópia, David Shinn, disse que o ataque em Nairobi pode ser sinal de que o grupo esta a mudar a estratégia e virar-se para os países vizinhos para maximizar o impacto.

“A Al-Shabab não consegue lutar taco-a-taco com organizações militares profissionais como as forças quenianas ou da União Africana. Pelo que se envolve em ataques bombistas, ocasionalmente em ataques de guerrilha – mas isso não lhes da grandes manchetes. A única forma de conseguir uma boa manchete é um grande evento como este no Quénia – atacar civis desarmados num lugar vulnerável.”
Centrando-se nos países vizinhos significa também recrutar combatentes nesses países – que poderá ter dado à Al-Shababa uma perspectiva interna vantajosa para o ataque ao centro comercial Westgate.
As Nações Unidas estimam que a al-Shabab tenha recrutado cerca de 500 jovens quenianos nos últimos anos, muitos deles de famílias pobres e limitadas oportunidades na vida.

Ali Edachi, activista comunitário queniano e residente de um bairro pobre de Nairobi conhecido por Majengo, diz que a polícia queniana deveria ser mais aguerrida em eliminar estes jovens, os quais são bem conhecidos na comunidade
“Em Majengo vive-se com grande tensão e medo” diz ele acrescentando que jovens que regressaram da Somalia e se encontram bem armados esconderam-se apos o ataque ao centro comercial.

Kisiangani concorda que a atitude das forcas de segurança interna do Quénia tem sido frouxa: “Apresentou-se como uma oportunidade. Atacaram quando houve um abrandamento. Nos últimos tempos não temos tido ataques, mesmo ataques de granadas. Pelo que a segurança não estava atenta à segurança. Assim o grupo escolheu (o centro comercial) porque era tempo oportuno para atacar, e porque a segurança resvalou.”

A coordenação e a intensidade do ataque ao Westgate surpreendeu muitos quenianos. O governo queniano acredita que foi levado a cabo por um grupo de cerca de uma dúzia ou tanto de pessoas de vários países com uma grande sofisticação.

Alguns analistas sugerem que o ataque se destinava a pressionar o Quénia a retirar as suas tropas da Somália. Mas também a mostrar que a Al-Shabab não pode ser subestimada apesar das suas perdas na Somália.

Nas palavras do presidente queniano o seu governo está decidido a dar caça ao grupo, quer dentro quer fora do país.
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